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Nelson Mandela, antigo presidente da África do Sul, condenou energicamente, ontem, a onda de violência xenófoba que atingiu bairros emblemáticos da luta contra o apartheid, como Alexandra, paredes-meias com Sandton, em Joanesburgo. Mandela - ele próprio um antigo residente em Alexandra (bairro onde há uma semana começou a violência contra emigrantes) - disse que, no tempo em que esteve activo na política, grupos étnicos xozas e zulus sentiam-se parte de Alexandra e que os acontecimentos actuais são uma "bofetada nos heróis da libertação".
O dia de ontem foi de relativa calma, que a Polícia interpreta como um bom sinal, mas ainda assim foram encontrados três corpos em Tokoza, no Leste de Joanesburgo. Londi Nkosi, membro da Assembleia Municipal, disse estar convencido de que os cadáveres são de um grupo de feridos que não foram socorridos a tempo.
Os ataques xenófobos concertados - que fizeram, numa semana, 24 mortos - têm como principal alvo moçambicanos, zimbabweanos, etíopes, chineses e paquistaneses. O embaixador de Moçambique na África do Sul, Fernando Fazenda, já confirmou a morte de seis cidadãos do seu país. Aos 70 moçambicanos que manifestaram já o desejo de regressar à terra natal, Oldemiro Balói, ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, pediu "serenidade".
"Os cidadãos de outros países de África e de qualquer outro lugar são humanos como nós e devem ser tratados com respeito e dignidade", disse, ontem, o presidente da República, em comunicado. Thabo Mbeki apelou ao fim da "anarquia" e exortou os que estão por trás desses "actos escandalosos e criminosos" a parar.
Líderes religiosos e chefes tradicionais reunidos no Kwazulu/Natal pediram aos seus seguidores para não atacarem emigrantes, o que não foi suficiente para convencer os comerciantes estrangeiros a abrirem as suas lojas junto às praças de táxis (minibus) no centro de Joanesburgo.
A vasta comunidade portuguesa residente na região de Joanesburgo não foi atingida pela vaga de ataques xenófobos. Vivem na África do Sul cerca de 400 mil portugueses, metade dos quais na província de Gauteng - o "coração" económico do país -, que engloba Joanesburgo e Pretória.
Fotos: EPA/JON HRUSA
Jornal de Notícias António Ramos, Correspondente em Joanesburgo
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so sombra de duivida eles sao ingratos