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Os líderes da União Parlamentar Africana (UPA) defenderam ontem, em Kampala, uma “diplomacia parlamentar activa” para mobilizar recursos junto dos vários governos para reduzir a pobreza e retirar o continente da actual tragédia social em que se encontra mergulhado. Este facto foi defendido pelo Chefe de Estado do Uganda, Yoweri Kaguta Museveni, durante a sessão de abertura da 31ª Conferência da UPA, que decorre no complexo hoteleiro de Munyanyo e conta com a presença de uma importante delegação parlamentar angolana, encabeçada pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos. Durante a sua intervenção, o Presidente ugandês defendeu uma nova ordem económica mundial que abra os mercados e permita aos africanos vender os seus produtos a preços justos. A África, segundo Yoweri Museveni, não deve continuar a ser o “escravo” da América, do Japão ou da Europa, vendendo as matérias- -primas a preços baixíssimos e comprando em troca produtos manufacturados a preços elevadíssimos.
Museveni criticou duramente as políticas agrícolas proteccionistas seguidas pelo Ocidente para impedir que os agricultores do continente vendam os seus produtos nos mercados europeus, asiáticos e dos Estados Unidos a preços competitivos, apelando, por isso, aos parlamentares de cerca de 40 países presentes no evento a exercerem a sua influência junto das organizações internacionais e dos governos ocidentais para reverter o actual quadro. Durante o evento, que decorre sob o lema “O desenvolvimento da Agricultura em África como via para fazer face à crise alimentar e contribuir para a redução da pobreza e das endemias do HIV/Sida e da Malária”, o Presidente Museveni afirmou que a África com os seus vários recursos naturais e terras férteis pode produzir alimentos para conseguir a sua auto-suficiência alimentar e exportar os excedentes para todo o mundo. O que impede o continente de atingir as metas do Desenvolvimento do Milénio propostas pela ONU em Setembro de 2000, segundo Museveni, são as políticas injustas do Ocidente, que têm como consequências o atraso e o subdesenvolvimento endémico das populações de África.
Aos países membros da UPA, Museveni reiterou que reflictam durante o encontro sobre os actuais problemas económicos e sociais do continente e encontrem soluções para o renascimento de África. O presidente do Comité Executivo da UPA, o burundês Pie Ntazyohanyuma, disse, por sua vez, que aos parlamentares africanos está lançado o desafio de junto dos seus governos e de outros buscarem soluções para acabar com a pobreza extrema, a fome e a pandemia do vírus da Sida, que assolam as populações do continente e colocam em perigo a segurança nacional de vários países.
Ntazyohanyuma defendeu ainda o maior acesso das mulheres africanas nos órgãos de decisão nos respectivos países e nas organizações multilaterais. A deputada Lúcia Tomás, que com Norberto dos Santos “Kwata-Kanawa”, Sónia Nece e Miraldina Jamba fazem parte da delegação parlamentar angolana ao evento, enalteceu na ocasião o facto de o Estado angolano ter cumprido com o pressuposto de colocar nos órgãos de decisão mais de 30 por cento de mulheres.
À margem do evento, o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, manteve vários encontros informais com os seus homólogos dos países membros da União Parlamentar Africana (UPA). O embaixador não residente de Angola no Uganda, Ambrósio Lukoki, juntou-se ontem à delegação angolana ao evento.
Cerca de 40 delegações parlamentares e 12 organizações internacionais, com destaque para a ONU, Banco Mundial e NEPAD, participam nos trabalhos da 31ª Conferência da União Parlamentar Africana (UPA), que encerra hoje (domingo) os seus trabalhos.
FNT/JA - Guilhermino Alberto |Kampala
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