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O navio chinês Na Yue Jiang, que transporta material de guerra para o Governo do Zimbabwe, está a caminho de casa sem ter solicitado autorização para acostar em portos angolanos disse à Voz Da America o Instituto Nacional da Marinha Mercante e Portos.
Reagindo às recusas dos Governos da África do Sul, Moçambique e Angola, em não permitir a descarga nos seus portos de contentores com armas e munições para o Zimbabwe, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Ji Yang Yu, lembrou a estes países que o negócio ora abortado era uma transação comercial normal de produtos militares.
Nesta esteira, o politologo Mário Pinto de Andrade, reconhece legalidade na transação e na descarga, mas também admite que o momento critico que o Zimbabwe atravessa e a posição de Angola como observadora do processo eleitoral e líder da comissão de Defesa e Segurança da SADC impõem equidistância do governo angolano.
«É um assunto soberano do Governo angolano com o Governo do Zimbabwe mas, o facto de Angola estar a exercer a função da presidência do Conselho de Defesa e Segurança da SADC deveria agir com maior equidistância em relação a esta questão tendo em conta o momento actual que o Zimbabwe está a travessar. No meu ponto de vista acho que deveria haver uma certa ponderação das autoridades angolanas em relação a esta questão tendo em conta que nós estamos a monitorar todo o processo das eleições e neste momento as armas complicam todo este processo. Mas o governo do Zimbabwe é soberano em comprar estas armas, como o governo angolano, se assim o entendesse, também é soberano de permitir que essas armas sejam descarregadas nos nossos portos. Acho que isso não é problema do ponto de vista da soberania do Estado, o que está aqui em causa agora é a actual situação política que o Zimbabwe vive e que requer uma certa ponderação».
Para Mário Pinto de Andrade, o Zimbabwe é soberano em manter acordos de comércio internacional com qualquer país do mundo independentemente do momento que vive, mas a entrega do material acontece em hora, momento e locais errados.
«Eu acredito que a rejeição do governo da África do Sul e de Moçambique de não aceitarem que o barco com bandeira chinesa atracasse quer nos portos da África do Sul e de Moçambique tem a ver de facto com a actual situação interna que o Zimbabwe está a atravessar e é sempre uma situação muito melindrosa, numa altura em que o pais está numa crise importar armas; todos nós sabemos que o Zimbabwe está em inflação de mais de cento e setenta mil por centos, mais de oitenta por cento da sua população não trabalha. Agora se este navio vem para Angola eu desconheço».
O navio de bandeira chinesa, Na Yue Jiang, transporta em seis contentores, milhares de munições de vários calibres, utilizadas em espingardas automáticas AK-47, RPG's e granadas de morteiro.
O Na Yue Jiang zarpou sexta-feira do porto de Durban sem descarregar a mercadoria do Governo zimbabweano por ordem expressa de um tribunal sul-africano que proibiu a passagem da carga pelo território da África do Sul, deliberando assim uma petição interposta por um conjunto de organizações de Direitos Humanos.
Para não ter o carregamento militar apreendido por ordem judicial da África do Sul, o comandante do navio, levantou âncora sem mais delongas, espreitando os portos de Moçambique e Angola, de quem também não recebeu aval, acto continuo começou a rumar para o porto de origem, algures na China.
Fonte: Multipress
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