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Um sinal de alerta foi lançado em todo o mundo diante de uma iminente crise alimentar. Chefes de Estado centro-americanos se reúnem na Nicarágua para discutir os últimos aumentos no preço dos produtos alimentícios básicos. Na África, líderes de vários países também se encontram para discutir a possível crise mundial.
Em Abidjan, capital da Costa do Marfim, no ocidente africano, uma multidão furiosa cercou um quartel da polícia local para protestar contra o elevado preço dos alimentos, que vem subindo a cada dia. As penas de galinha se espalham pelo chão enquanto o vendedor trata de capturar dois exemplares da ave numa das barracas do mercado de Abdijan. Duas mulheres observam a situação e uma delas desabafa: "tudo está cada vez mais caro, inclusive o frango. Mas o que mais aumentou foi o preço do arroz". Na feira livre da capital marfinesa, o clima de incerteza gera apreensão. Vendedores caminham de um lado para o outro com seus produtos debaixo do braço ou sobre a cabeça. Os preços continuam nas nuvens, apesar da promessa do governo de reduzir os impostos e outras taxas públicas. Fim dos conflitos De acordo com Wagdy Othman, diretor-interino do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas na Costa do Marfim, ainda é cedo para afirmar que o país vive uma crise alimentar. No entanto, ele adianta que a situação é preocupante, já que a nação africana acaba de se recuperar de conflitos internos. "Com a paz, as pessoas passam a comer mais. Agora, os alimentos ameaçam ficar impagáveis. Não só os habitantes da Costa do Marfim não conseguem pagar pelo arroz, mas o produto está caro também para o Programa Mundial de Alimentos da ONU", comenta Othman. E o arroz é mesmo o grande vilão dos preços. Segundo o representante da FAO na Costa do Marfim, primeiro se comprava o arroz no Paquistão. Entretanto, quando os preços aumentaram naquele país, a Índia passou a ser o grande mercado exportador do grão. E fica cada vez mais longa a lista de países que suspendem as vendas ao mercado exterior para poder garantir a distribuição de arroz a seus cidadãos. Ajuda suspensa Wagdy Othman acredita que a situação na Costa do Marfim poderá piorar. Ele espera receber a tempo os fundos extras para superar a crise do aumento dos preços. Caso contrário, a ONU terá de suspender, a partir de junho, toda a ajuda que fornece ao país. Entre os principais cultivos marfineses estão o cacau e o café destinados à exportação, ainda que o clima no país também seja propício para o cultivo de arroz. No entanto, o produto é plantado em pequena escala e apenas para o abastecimento interno. Serges Anrai, representante da FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, conta que a situação na Costa do Marfim remete aos tempos em que o país podia abastecer de arroz toda a população. Entretanto, o FMI recomendou às autoridades dar prioridade ao cultivo de café e cacau, já que os dois produtos aumentariam as exportações. "Para estimular o cultivo de arroz, o governo deveria reduzir os impostos sobre os fertilizantes, já que desta forma os pequenos agricultores poderiam competir com os grandes produtores mundiais de arroz, como China e Vietnã", opina Anrai. No mercado de Abidjan, o arroz continua sendo vendido, mesmo que, com o aumento dos preços, os vendedores corram o risco de ficar sem freguesia. *Adaptação: Luiz Sammartano Parceria.nl
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