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O Governo centro-africano saudou oficialmente segunda-feira a detenção na Bélgica do ex-Vice-Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Jean-Pierre Bemba, qualificando-a de uma "primeira vitória" do povo centro-africano sobre a impunidade.
Durante um briefing com a imprensa, o ministro centro-africano da Justiça, Thierry Maleyombo, sublinhou a determinação do Governo de tudo fazer para combater contra a impunidade sob todas as suas formas no país e cooperar plenamente com o Tribunal Penal Internacional (TPI) para a "conclusão total do dossiê dos crimes cometidos pelos Banyamulengue de Jean-Pierre Bemba".
As declarações do governante centro-africano seguem-se às reacções dos cidadãos em Bangui onde as ruas e as colunas da imprensa especulam sobre os próximos alvos do TPI.
Com o título "Após Bemba, será a vez de quem ?", o diário "Le Citoyen" resume a opinião geral, afirmando que "todos os olhos estão virados para Lomé e Tripoli onde se encontram actualmente exilados o ex-Presidente centro-africano Ange-Felix Patassé (derrubado a 15 de Março de 2003) e Abdoulaye Miskine (oficial militar próximo de Patassé)".
O jornal interroga-se se o inquérito do TPI vai continuar durante todo o ano 2008 ou além porque, sublinha, "embora a rebelião tenha terminado em finais de Março de 2003, os desmandos continuaram até mesmo hoje".
Interrogado sobre uma eventual implicação do actual chefe de Estado centro-africano, o general François Bozizé (que derrubou Patassé a 15 de Março de 2003 através de um golpe de Estado), Maleyombo respondeu que "é o próprio Presidente da República que pediu que o dossiê fosse transmitido ao TPI".
"Ele vai responder, se estiver implicado, como outros cidadãos sujeitos à Justiça", acrescentou o ministro centro-africano da Justiça.
Chefe da oposição congolesa e ex-Vice-Presidente da RD Congo, Jean-Pierre Bemba foi detido a 24 de Maio corrente num subúrbio de Bruxelas. A Polícia belga executava assim um mandado de captura do TPI emitido secretamente nas vésperas.
Candidato derrotado do escrutínio presidencial de 2006, na RD Congo, pelo então Presidente cessante, Joseph Kabila, Bemba está a contas com a Justiça por "crimes contra a humanidade e crimes de guerra" cometidos por homens que controlava na República Centro-Africana em entre 2002 e 2003.
As suas tropas do Movimento para a Libertação do Congo (MLC) são acusadas de "violações sexuais, actos de tortura, atentados contra a dignidade da pessoa humana, tratamentos degradantes e pilhagens" quando intervinham neste país para tentar reprimir um golpe de Estado contra o então Presidente Ange-Felix Patassé movido pelos rebeldes de François Bozizé, que, a 15 de Março de 2003, acabara por tomar o poder. FONTE
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