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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Cúpula africana pressiona Mugabe a negociar com oposição Imprimir e-mail
Escrito por : Cfr. no fim da pág   
30-Jun-2008

Líderes africanos pressionaram na segunda-feira o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, a abrir negociações com a oposição após ter sido reeleito em uma votação na qual figurou como candidato único e que foi considerada violenta e injusta por observadores do continente.

Mugabe, 84, participou de uma cúpula da União Africana (UA) realizada no Egito pouco depois de ter tomado posse para cumprir um novo mandato presidencial, estendendo sua permanência no poder, ao qual subiu depois de o Zimbábue ter se tornado independente da Grã-Bretanha, em 1980.

Enquanto Mugabe chegava ao Egito para a reunião, observadores da UA diziam que a eleição de sexta-feira passada não havia cumprido os padrões mínimos --a UA é o terceiro grupo a condenar a votação.

A cúpula parecia ser contrária aos esforços realizados por países do Ocidente junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para impor sanções contra o governo de Mugabe. Ao contrário, os africanos caminhavam rumo a defender negociações capazes de colocar fim à crise naquele arruinado país.

A África do Sul pediu que o partido Zanu-PF, de Mugabe, e o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), do oposicionista Morgan Tsvangirai, discutam a criação de um governo de transição.

Tsvangirai retirou-se da disputa por causa de ataques realizados contra seus simpatizantes.

O governo sul-africano é o mediador designado para o Zimbábue, mas o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, vem sendo criticado por adotar uma postura leniente demais com Mugabe.

O comunicado representava a primeira vez em que a África do Sul pedia a criação de um governo de coalizão e parecia indicar o rumo a ser seguido nas negociações travadas na UA.

Qualquer medida mais rígida deve ser bloqueada devido às desavenças existentes dentro do órgão.

Os EUA escreveram um projeto de resolução para o Conselho de Segurança da ONU proibindo a venda de armas ao Zimbábue e congelando os bens de Mugabe e de seu círculo mais próximo de assessores.

"Vamos pressionar para que a ONU adote medidas duras, mas também podemos agir de forma unilateral", disse Dana Perino, porta-voz da Casa Branca.

No entanto, a África do Sul, a China e a Rússia parecem prontas a bloquear a resolução já que se opõem à adoção de qualquer medida drástica contra Mugabe.

A crise política e econômica do Zimbábue arruinou um país antes próspero, fazendo nascer ali a pior hiperinflação do mundo atual e indispondo-o com seus vizinhos, em especial a África do Sul, para onde fugiram milhões de pessoas até agora.

O presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, maior crítico de Mugabe no sul da África, foi levado às pressas para um hospital egípcio, pouco antes da cúpula, depois de sofrer um derrame.

O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, outro adversário do líder zimbabuano, pediu a suspensão dele da UA até que sejam realizadas eleições livres e justas.

Mas o presidente queniano, Mwai Kibaki, disse à Reuters que a criação de um governo de coalizão representava a única solução possível.

Questionado sobre se Mugabe aceitaria um acordo negociado pela cúpula, o presidente da República do Congo, Denis Sassou-Nguesso, respondeu: "Vamos convencê-lo a aceitar a solução que adotaremos. A respeito disso não há dúvida."

Muitos líderes africanos sempre deram sinais de profundo respeito por Mugabe, um herói da libertação de seu país. Mas a atitude dele nas eleições mais recentes fez nascerem críticas sem precedentes dentro da África.

Observadores da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Parlamento Pan-Africano disseram que a votação havia sido prejudicada por atos de violência e que não refletia a vontade do povo.

Tanto Mugabe quanto Tsvangirai afirmaram estar prontos para negociar sob os auspícios da UA. No entanto, a questão sobre quem lideraria o governo de unidade nacional continua a ser um obstáculo eventualmente insuperável.

(Reportagem adicional de Gordon Bell em Joanesburgo, Cynthia Johnston e Dan Wallis em Sharm el-Sheikh, Louis Charbonneau nas Nações Unidas)

© Thomson Reuters
Por Opheera McDoom
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