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Cerca de 300 toneladas de cocaína provenientes da América do Sul passam por ano na Guiné-Bissau destinadas principalmente à Europa, disse hoje à agência Lusa a directora geral da Polícia Judiciária guineense, à margem da III Reunião dos Chefes de Polícia da CPLP. "O combate ao problema não é apenas nosso mas é um combate internacional. A Guiné-Bissau sente-se mais encorajada para enfrentar esta luta contra o narcotráfico com o apoio dos irmãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, da Agência das Nações Unidas para Assuntos de Droga e de Crime (UNODC) e outros parceiros internacionais", afirmou Lucinda Gomes Barbosa Ahukarie.
A directora da Polícia Judiciária lembrou que seis guineenses - quatro da Polícia Judiciária, um da Interpol e outro da Administração Interna - concluíram este mês o primeiro curso de formação de agentes e peritos criminais da Polícia Federal do Brasil que contou com a participação de polícias estrangeiros. Entre os agentes, cuja formatura será realizada sexta-feira, estão também polícias de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e países sul-americanos, que durante quatro meses e meio foram treinados pela Polícia Federal. O curso englobou aulas de defesa, de direcção, de perícia criminal, técnicas de combate em diversos meios, inclusive aquático, disparos com armas de diferentes calibres e treinos intensivos. Segundo Lucinda Ahukarie, outros polícias guineenses serão treinados ainda este ano pela Polícia Federal do Brasil. "Isso vai colmatar a deficiência ao nível da formação e capacitação da nossa polícia", assinalou a directora da Polícia Judiciária, acrescentando que este ano começará a funcionar também um curso de formação de polícias à distância oferecido pela Polícia Federal do Brasil. Na sua avaliação, os narcotraficantes aproveitam-se da fragilidade da Guiné-Bissau e dos fracos meios da polícia, tanto a nível dos recursos humanos como dos meios materiais, para fazer a sua rota na costa ocidental da África. Em 2007, a polícia guineense conseguiu apreender apenas 634 quilos de cocaína das 300 toneladas estimadas da droga que passam pelo país. A cocaína sai da Colômbia, Bolívia e Peru, passa pelo Brasil e vai para a África Ocidental, onde é comercializada e empacotada em pequenas quantidades para ser enviada para os países europeus, nomeadamente através de mensageiros que chegam ao continente de avião. O intenso tráfico de drogas em território da Guiné-Bissau, facilitado pela existência de pequenas ilhas pouco vigiadas, está a levar o país a ficar conhecido como um novo narco-Estado. CMC. Lusa/Fim
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