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Saragoça, Espanha - O Grande Rio Artificial é um projecto de dimensões faraónicas - Num pequeno pavilhão, que abriu as portas com cerca de duas semanas de atraso, a desértica Líbia apresenta com grande orgulho na Expo2008 o seu maior feito em matéria de política hidrológica. A área expositiva deste seco país do norte de África não surpreende propriamente pela oferta de entretenimento. Não passa de um espaço unicamente baseado em vídeos e cartazes sobre o projecto do Grande Rio Artificial, abordando ainda os grandes problemas de água do país.
O director do pavilhão, Suleiman Abboud, sublinha a escassez de chuva no país e consequente necessidade de extrair do subsolo 97 por cento da água consumida. Assegura ainda que uma obra desta envergadura era necessária, "não para salvar a agricultura ou a indústria, mas sim para salvar a vida".
Cerca de 94 por cento do país recebe menos de 100 milímetros de chuva por metro quadrado ao ano e 60 por cento menos de 10 milímetros. Não existem rios nem águas superficiais. Os aquíferos do Norte não são suficientes devido à excessiva exploração e à entrada de água do mar.
Por outro lado, a dessalinização tem-se revelado demasiado cara.
O projecto que a Líbia apresenta em Saragoça consiste em 4.071 quilómetros de tubos que chegam a alcançar os quatro metros de diâmetro. Existe uma cadeia de 1.100 poços ligados entre si, produzindo mais de 6.400 milhões de metros cúbicos de água por dia, que abastecem a capital, Trípoli, Benghasi e Sirt, entre outras cidades.
O custo total do projecto é estimado em mais de 25 mil milhões de dólares, mas a obra, considerada uma das maiores da engenharia moderna, não parece bastar para cobrir as crescentes necessidades de água.
Segundo Suleiman Abboud, o governo líbio sonha transportar parte da corrente do rio Congo, através de vales naturais, até ao lago Tchad e a partir daí para o Grande Rio Artifical.
Na Exposição Internacional de Saragoça, a Líbia procura transmitir a mensagem de que a água abunda em África, mas que não está bem distribuída.
Ao mesmo tempo, reclama apoios da Europa, já que este líquido gera riqueza e mantém as populações, reduzindo a emigração.
Um enorme projecto que a Líbia designa como "a oitava maravilha" e uma mensagem clara dentro de um austero pavilhão, sem loja, nem cafetaria ou artistas.
"A decisão de utilizar as águas subterrâneas do deserto líbio foi a melhor solução para resolver a crise de escassez de água na fértil faixa costeira, onde a densidade populacional é elevada", lê-se num dos cartazes do pavilhão. Angop
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