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Oportunista para uns, herói para outros, Raila Odinga continua a ser, acima de tudo, um enigma, um "mistério", escrevia ontem a AFP. Uma coisa é certa: sem qualquer dúvida um político tenaz, conseguiu arrancar à situação afinal dominada pelo Presidente Mwai Kibaki o cargo de primeiro-ministro.
O líder do Movimento Democrático Laranja (ODM), nomeado para a chefia do Governo queniano, conseguiu em parte voltar à situação nascida da eleição presidencial de Dezembro, de que saiu vencedor o mandatário cessante, apesar das dúvidas dos observadores internacionais e das acusações de fraude do ODM.
À fama de homem de negócios, amador de altas cilindradas americanas, antigo comunista e preso político durante nove anos, Odinga somou agora também, na sequência da crise que pôs o Quénia à beira do desastre, o prestígio de um negociador de grande pujança. Durante várias semanas, de acordo com a agência, a sua personalidade acabou ao nível da do pai, o militante independentista Oginga Odinga, que chefiou a oposição a Jomo Kenyatta. Candidato dos mais desfavorecidos, recebeu durante a discussão pelo topo do Estado o apoio de milhões de candidatos da região ocidental do país e dos bairros mais pobres da capital, uns e outros queixando-se de marginalização.
Em parte, a discussão política e a forma como o país descarrilou depois deveu-se, ainda segundo a AFP, à circunstância de haver dois Quénias adormecidos, o dos kikuius, a etnia de Mwai Kibaki, e o dos luos, a do chefe da oposição.
Raila Odinga, conhecido entre os partidários como o agwambo, que no idioma luo significa "misterioso", foi buscar a sua persistência de luta aos anos que passou na prisão. Desde o dia 24 de Dezembro do ano passado, três dias antes das eleições gerais, já tinha dito que não aceitaria "o resultado de eleições falseadas", apelando aos seguidores que se mobilizassem para que a jornada fosse "justa".
Os analistas classificam o agora primeiro-ministro queniano como um político de grande poder discursivo, capaz de galvanizar multidões, de as levar por onde quiser. Os detractores retratam-no como um mero "oportunista". Um observador, Evans Monari, diz que "tem um desejo insaciável de vir a ser Presidente".
F: Público
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