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O Procurador da República, Keriako Tobiko, solicitou à justiça o arresto de uma propriedade de Félicien Kabuga, apresentado como o financiador presumido do genocídio de 1994 no Rwanda e perseguido há muitos anos.
Keriako Tobiko solicitou hoje, terça-feira, ao Supremo Tribunal do Quénia para pôr sob arresto temporário os arrendamentos da propriedade "Vila Espanhola", situada em Nairobi, cujos os rendimentos têm sido até aqui depositados numa conta na Bélgica em nome da mulher de Kabuga, Joséphine Mukazitoni.
Para Tobiko, Félicien Kabuga, que tinha se refugiado no Quénia, utilizou os proventos dessa propriedade para conseguir a sua fuga. O supremo Tribunal devera preparar o seu julgamento proximamente.
Em finais de Setembro de 2006, o procurador do Tribunal Penal Internacional para o Rwanda (TPIR), Hassan Bubacar Jallow, tinha solicitado ao Quénia para prender Kabuga.
O mês seguinte, a polícia queniana tinha renovado os seus apelos para que o suspeito fosse detido, atestando-o como "o fugitivo extremamente perigoso".
Tido com um dos homens mais ricos do Rwanda no início dos anos 1990, Félicien Kabuga, um Hutu, é acusado de genocídio pelo TPIR, encarregado de procurar e julgar os principais responsáveis do genocídio de 1994 no Rwanda.
Consta que foi ele quem comprou as catanas utilizados para matar os tutsis durante o genocídio de Abril a Julho de 1994.
Esse massacre fez, segundo a ONU, pelo menos 800 mil mortos, essencialmente tutsi, etnia minoritária.
Kabuga tinha se refugiado na Suiça e posteriormente na República Democrática do Congo (RDC) depois no Quénia, onde escapou três meses antes da sua detenção.
Suspeita-se que tinha recebido a protecção do antigo Presidente queniano, Daniel Arap Moi (1978-2002).
Membro do partido presidencial rwandês da época, o Movimento Republicano Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (MRND), Kabuga era parente por afinidade do ex-Presidente rwandês, Juvénal Habyarimana, cujo assassinato a 6 de Abril 1994 desencadeiou o genocídio.
Angolapress
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