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RD.Congo: Missão da ONU em Kinshasa acusa as duas partes de violação dos Direitos Humanos |
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26-Nov-2008 |
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Missão da ONU em Kinshasa acusa as duas partes de violação dos Direitos Humanos A missão da ONU na República Democrática do Congo (RDCongo) acusa hoje os rebeldes do ex-general Laurent Nkunda de violarem o cessar-fogo em vigor no leste do país e, simultaneamente, denuncia actos de pilhagem cometidos pelo exército.
Sob o disfarce de operações policiais e de pacificação", os rebeldes "lançaram novas operações militares no eixo de Kiwanja-Ishasa, agravando a situação humanitária e de segurança no Kivu Norte", acusa a MONUC, em comunicado.
Os combates que opõem rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP, de Laurent Nkunda) a milícias Mai-Mai (pro-governamentais) estão a decorrer perto de Kinyandoni e Nkunda, a leste de Kiwanja, a 80 quilómetros a norte de Goma, a capital provincial do Kivu Norte, segundo a MONUC.
Terça-feira, os rebeldes disseram estar a efectuar, há três dias, "operações de segurança" no sector, contra milícias Mai-Mai e elementos das Forças Democráticas de Liberação do Ruanda (FDLR, rebeldes hutus ruandeses).
Os combates "geraram o pânico entre as populações civis que se encontram novamente nas estradas em busca de segurança, fugindo para Nyamilima ou a fronteira com o Uganda", segundo a MONUC.
A missão da ONU "condena sem reservas as acções iniciadas pelo CNDP", considerando que se trata de "uma violação do cessar-fogo" e "pede (aos rebeldes) que cumpram, sem condições, o cessar-fogo e que não agravem ainda mais o nível de sofrimento das populações".
A MONUC denuncia também actos de pilhagem cometidos esta semana por soldados do exército regular, no território de Lubero (120 quilómetros a norte de Goma). A localidade de Bulotwa foi palco de pilhagens orquestradas por elementos de algumas unidades das FARDC (Forças Armadas da RDCongo), refere o comunicado da MONUC que "condena os esses actos".
A missão de paz "aguarda que autoridades militares competentes levem os culpados destes actos a sofrer os rigores da lei, conforme já prometido" pelo governo.
Um relatório da ONU hoje divulgado já tinha denunciado violações dos Direitos Humanos no leste da RDCongo, onde os civis são maltratados tanto pelas forças governamentais como pelas milícias armadas.
Durante os últimos cinco meses, "elementos das FARDC e da polícia nacional foram responsáveis por sérias violações dos Direitos Humanos: execuções arbitrárias, violações, torturas e tratamentos cruéis, desumanos e degradantes", denunciou o relatório do secretário-geral, Ban Ki-moon, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"Grupos armados congoleses e estrangeiros perpetraram igualmente sérias violações, permanecendo impunes", prosseguiu.
Estas violações compreendem "homicídios múltiplos, torturas, sequestros, recrutamentos forçados de crianças, deslocações forçadas, destruições de refúgios, trabalhos forçados e escravidão sexual", precisou o documento.
O relatório estima em mais de 250.000 o número de pessoas deslocadas pelos combates desde que estes foram retomados, em Agosto.
Fonte:RTP
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