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O líder dos rebeldes congoleses que controlam a província do Kivu Norte, o ex-general Laurent Nkunda, diz estar pronto a respeitar um cessar- -fogo e a permitir a abertura de um corredor humanitário para os deslocados do conflito no Leste da República Democrática do Congo.
Vestido a preceito, até trocou a farda militar pelo fato e gravata, o líder dos rebeldes de etnia tutsi deixou aquela garantia ao enviado especial das Nações Unidas, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, durante o encontro de ontem em Jomba, uma pequena localidade perto da fronteira com o Uganda e o Ruanda.
"Nós queremos contactar a parte adversária [o Governo] para negociar um acordo de cessar-fogo", disse Nkunda, falando em francês, assegurando que os seus homens continuam a respeitar o cessar-fogo que eles próprios declararam unilateralmente no dia 29 de Outubro. "Nós mantemos uma mensagem de paz", acrescentou o ex-general, citado pelas agências internacionais.
O enviado do secretário-geral da ONU afirmou, por sua vez, que agora já sabe o que o rebelde quer. "O cessar-fogo é como dançar o tango: são precisas duas pessoas", declarou à imprensa Olusegun Obasanjo, que momentos antes tinha estado ele próprio a dançar, não o tango, mas danças tradicionais africanas, com alguns dos seus anfitriões.
O ex-presidente da União Africana anunciou ainda que Nkunda concordou com a criação de um comité tripartido para fazer respeitar esse cessar-fogo bilateral. O grupo será composto por um membro da rebelião, outro do Governo, mais um terceiro que sairá da missão das Nações Unidas na RD Congo (Monuc), garantiu, citado pela AFP, Obasanjo.
O Governo congolês recusou fazer quaisquer comentários ao encontro entre o líder dos rebeldes e o enviado da ONU, dizendo, apenas, que aguarda o seu relatório. Esta foi a primeira vez que Nkunda recebeu um alto emissário internacional. O ex-general defende-se das acusações de crimes de guerra dizendo que está apenas a proteger os tutsis de ataques de hutus ruandeses que ainda operam na RD Congo.
No mesmo dia, houve notícia de novos combates entre os rebeldes e o Exército congolês, junto a uma base da Monuc, em Rwindi, havendo registo de pelo menos um capacete- -azul indiano ferido. FNT/dn.sapo.pt/PATRÍCIA VIEGAS
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