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Dakar - O Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, exortou quarta-feira os países africanos a reflectirem sobre o projecto de União para o Mediterrâneo (UPM) preconizado pelo seu homólogo francês Nicolas Sarkozy porque, a seu ver, vai "isolar África no sul do Sara". Falando à margem dum encontro internacional sobre as mudanças climáticas em África organizada pelo Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Wade afirmou que os países africanos devem reflectir sobre estes projectos de união que visam certas partes do continente com outros territórios. "Bush (Presidente dos Estados Unidos) já tinha tentado destacar os países da África do Norte para fazer o Grande Médio Oriente, mas não funcionou. Agora, há uma outra estratégia que consiste em criar um tipo de comunidade mediterrânica que vai integrar os países africanos da África do Norte na Europa. Então, é preciso interrogar-se aonde se quer ir", alertou.
"A ideia de uma União Mediterrânica, se concretizar-se, vai permitir a África do Norte ser anexa à Europa", denunciou o estadista senegalês, acrescentando que "se trata de uma barreira que isola a África no sul do Sara e é preciso que os africanos tomem consciência disto". O chefe do Estado senegalês afirmou pretender desenvolver esta ideia durante a próxima cimeira da União Africana, convidando assim os seus homólogos a reflectirem sobre as consequências de todas estas iniciativas.
Wade estimou que todos os países africanos devem aderir à estratégia de "um continente unido de Casablanca (Marrocos) à cidade do Cabo (África do Sul).
"As alternativas são muitas. Por exemplo, os países da América Latina propõem-nos uma espécie de comunidade com África no sul do Sara", referiu-se o Presidente do Senegal.
Acrescentou que o Brasil, a Venezuela, todos estes países viram-se para África, propondo até instituições financeiras como um banco do sul que poderá abranger a Índia ou a China.
Reagindo à provável designação do senador mestiço norte-americano Barack Obama, 46 anos de idade, como futuro candidato do Partido Democrata para à eleição presidencial de Novembro próximo nos Estados Unidos, Wade declarou que "parece que os Estados Unidos estão a resolver um problema que ainda não aconteceu na Europa".
"A Europa recusa-se à entrada dos africanos, Schengen não é outra coisa", disse o Presidente senegalês, interrogando-se "quem está proibido de entrar no espaço Schengen da Europa?" e respondendo "não são cidadãos oriundos dos Balcãos".
Angop
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