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Zimbabué: Navio com armas para Harare zarpou de Durban -- Moçambique pode ser destino Imprimir e-mail
Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.   
20-Abr-2008
O navio de pavilhão chinês, que transporta armas para o governo do Zimbabué e que estava ancorado ao largo do porto de Durban, zarpou e o seu destino pode agora ser Moçambique, segundo alerta uma organização não-governamental zimbabueana.

O comandante do Na Yue Jiang foi hoje ao princípio da noite informado de que um tribunal de Durban proibiu o transporte dos seis contentores de armas e munições para o Zimbabué através de território sul-africano e decidiu partir com destino incerto.

No entanto, a organização não-governamental do Zimbabue Projecto Paz, que monitoriza os incidentes de violência política naquele país, alertou em comunicado enviado á agência Lusa que o Na Yue Jiang pode estar a caminho de um porto moçambicano para proceder ao descarregamento do material de guerra encomendado pelo regime de Robert Mugabe aos seus aliados chineses.

O navio encontrava-se desde segunda-feira atracado ao largo de Durban a aguardar autorização das autoridades portuárias para atracar e descarregar a sua carga. Entre ela, encontram-se seis contentores contendo milhões de munições de vários calibres, com predominância do calibre utilizado nas espingardas automáticas AK-47, RPG`s (morteiros com auto-propulsão) e granadas de morteiro.

O manifesto de carga foi enviado por fonte anónima ao editor da revista "Noseweek" que, por sua vez, denunciou a presença do navio em águas territoriais sul-africanas. Nos últimos dois dias, a generalidade da comunicação social tem dado destaque ao Na Yue Jiang, uma vez que a ausência de resultados das eleições presidenciais zimbabueanas de 29 de Março ameaça mergulhar toda a região numa grave crise.

Quinta-feira, os sindicatos afectos aos trabalhadores portuários e dos transportes emitiram comunicados nos quais se recusavam a participar no descarregamento do navio e no transporte da sua carga para um país onde a legitimidade do regime levanta sérias dúvidas e onde a violência dos agentes do Estado contra elementos da oposição tem aumentado significativamente.

Uma petição interposta num tribunal de Durban pelo grupo Centro de Litigação da África Austral, pelo bispo anglicano Rubin Phillips e pelo activista dos direitos humanos Patrick Kearney mereceu parecer positivo do juíz Pillay que, ao início da noite, aceitou que o navio fosse descarregado mas proibiu que a carga fosse movimentada em território sul-africano.

Na iminência de ter o carregamento de armas apreendido na prática por ordem judicial, o comandante do navio, identificado como Sunaijum, optaria por levantar âncora entre as 18:00 e as 19:00 horas locais, sem esclarecer junto das autoridades sul-africanas para onde se dirigiria em seguida.

Nicole Fritz, directora do Centro de Litigação da África Austral, disse esta noite que o navio zarpou do local onde se encontrava ancorado quando o oficial de diligências do tribunal de Durban dele se aproximava numa embarcação policial.

Ela garantiu que, se o navio tentar descarregar os contentores destinados ao Zimbabué num porto de Moçambique, a sua organização interporá acção preventiva semelhante junto dos tribunais moçambicanos.

O regime do presidente Robert Mugabe tem estado sob intensa pressão da comunidade internacional para que divulgue os resultados das eleições presidenciais de 29 de Março, nas quais o candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, reclama vitória com mais de 50 por cento dos votos.

O secretário-geral das Nações Unidas, a União Europeia e os Estados Unidos já apelaram ao governo zimbabueano para que exija à Comissão Eleitoral a divulgação imediata dos resultados para que o regime do Zimbabué ultrapasse rapidamente a profunda crise de legitimidade democrática que atravessa e o país possa regressar à normalidade.

Durante um discurso proferido quinta-feira em Harare, por ocasião de mais um aniversário da independência nacional, Robert Mugabe voltou a acusar a Grã-Bretanha e os brancos em geral de pretenderem re-colonizar o país com recurso a uma "mudança de regime".

O mediador nomeado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês)para fomentar o diálogo entre governo e oposição no Zimbabué - o presidente sul-africano Thabo Mbeki - tem estado sob o fogo cruzado do mundo ocidental, do seu próprio partido (o ANC, agora presidido por Jacob Zuma) por se recusar a admitir que o Zimbabué atravessa uma crise e que os direitos humanos e a democracia estão seriamente ameaçados pelo regime de Mugabe.

AP.

 

© 2008 LUSA

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