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A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) do Zimbabwe acaba de declarar o maior Partido da Oposição - Movimento para a Mudança Democrática - , vencedor das eleições legislativas ocorridas há mais de cinco semanas naquele País da África Austral. Por decidir estão as eleições presidenciais, as mais importantes, que depois desse tempo todo de contagem e recontagem de votos, tudo continua inconclusivo.
A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) do Zimbabwe acaba de declarar o maior Partido da Oposição - Movimento para a Mudança Democrática - , vencedor das eleições legislativas ocorridas há mais de cinco semanas naquele País da África Austral. Por decidir estão as eleições presidenciais, as mais importantes, que depois desse tempo todo de contagem e recontagem de votos, tudo continua inconclusivo. Nas últimas horas teve-se a notícia, ainda não confirmada oficialmente, segundo a qual o líder do maior Partido da oposição, MORGAN TSVANGIRAI, teria alcançado 47% da totalidade dos votos válidos depositados nas urnas (o que este não aceita), cabendo a ROBERT MUGABE 43% e os restantes 10% ao terceiro candidato (antigo Ministro das Finanças). A ser mesmo assim, será inevitável uma segunda volta, a que concorrerão apenas os dois candidatos mais votados (Tsvangirai e Mugabe), pois ninguém pode ser eleito na primeira volta sem maioria absoluta (50% + 1). Reina, assim, grande expectativa à volta do apuramento dos resultados relativamente às eleições presidenciais, que pode ainda ter implicações imprevisíveis ou fazer correr muita tinta nas próximas semanas.
De todo o modo, as notícias, neste sentido, que chegam daquele País, são no mínimo surpreendentes. Com efeito, quando o mundo já estava preparado para conhecer os habituais resultados de que Mugabe ganhou, mais uma vez, as eleições legislativas e presidenciais por “esmagadora maioria”de votos, pois tanto tempo a contar e recontar fazia pairar um clima de forte e óbvia suspeição, eis que surge a bombástica notícia, já confirmada pela CNE de que, pelo menos em relação às legislativas, o Partido de Mugabe as tinha perdido, com uma diferença de votos significativa. Aguarda-se agora, com grande expectativa, por resultados mais objectivos sobre as presidenciais, ou então a confirmação dos que já foram avançados o que, obrigando a uma segunda volta, não será boa notícia para o povo zimbabweano.
Mugabe estará, provavelmente, a ganhar tempo, para depois se posicionar? É que o seu mutismo à volta do desenrolar deste processo é bastante significativo e tem alimentado esta eventualidade!
Seja como for, já houve uma grande mudança de atitude de Robert Mugabe, que pelos vistos aceitou bem, sem contestação, os resultados das eleições legislativas. Pode ser que seja apenas um engodo, para que sua eventual estratégia de arquitectar uma segunda volta seja aceite sem desconfiança. É caso para perguntar: por que motivo Mugabe aposta tanto numa eventual segunda volta? Para a gerir à sua maneira e continuar, firmemente, com as rédeas do Poder e entregar ao Governo o indesejável papel de executor das decisões do Chefe do Estado, assumindo aquele o ónus de todo o fracasso governativo, que um raciocínio lógico faz pressupor!
Mas é óbvio que, num escrutínio sério, livre, justo e transparente, Morgan Tsvangirai aumentará segura e substancialmente o seu score, se houver uma segunda volta das presidenciais, pois parte com uma folgada vantagem e logicamente que os votos do candidato já fora da corrida deverão transferir-se para ele.
Mesmo assim, Tsvangirai faz tudo para evitar uma segunda volta, pois desconfia que esteja a ser conduzido para uma cilada, onde Mugabe ainda assim poderá fazer funcionar todas as armas ao seu dispor. Daí a forte probabilidade de virmos a assistir, nas próximas semanas, a um braço de ferro entre os dois, o que faria voltar tudo à estaca zero, com consequências bem desastrosas.
A não haver cedências de ambas as partes, o que provavelmente irá acontecer, Mugabe poderá, então, fazendo-se de vítima, alegar a impossibilidade de coabitação com o seu adversário e partir para soluções menos recomendadas, que poderão mergulhar o País numa crise de consequências desastrosas.
Alegando ainda que o País não pode parar, Mugabe será então tentado a tomar medidas espectaculares, em que caberiam vários cenários: entre estes um golpe de estado palaciano; um governo de unidade nacional; ou, sua auto-demissão, tout court, num gesto de salvador da pátria, para mostrar ao mundo que não está colado ao Poder. Este último cenário talvez seja o que acabe por ter mais viabilidade, o que mereceria uma saudação global aos níveis endógenas e exógenas.
Mugabe sabe que o seu espaço de manobra é muito estreito, e por isso não pode, nem deve assumir qualquer posição extrema, até porque está sendo pressionado por todos os lados, inclusive pelos seus vizinhos mais próximos, outrora seus apoiantes incondicionais e solidários. Restar-lhe-á, pois, dialogar e nunca ir para soluções extremas, que não passariam de meros paliativos. É com base nesta premissa que tudo irá processar-se nas próximas semanas e, eventualmente, decidir-se, a bem do sofredor povo zimbabweano, da democracia e da justiça social.
É muito provável que tenhamos que regressar a este assunto, dependendo da evolução que ele vier a conhecer proximamente.
Jorge de Oliveira Lima
A semana
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