|
A Comissão Eleitoral do Zimbabué está entre a espada e a parede. Do ponto de vista parlamentar já reconheceu que o principal partido de Oposição, o Movimento para Mudança Democrática (MDC), venceu as eleições do passado sábado.
Quanto às presidenciais, aguarda as negociações com o ainda presidente, Robert Mugabe, para saber o que deve anunciar, se a vitória de Morgan Tsvangirai sem necessidade de uma segunda volta, ou se uma repetição dentro de três semanas.
O MDC garante que teve nas presidenciais 50,3% contra 43,8 de Robert Mugabe, mas mostra-se disposto a aceitar uma ida à segunda volta se essa for a solução para o presidente aceitar os resultados.
E é aqui que reside o principal problema das negociações que envolvem Mugabe, representantes do MDC e do mediador africano. Perante os resultados para o Parlamento, o presidente poderá ser humilhado numa segunda volta e ter de enfrentar a Justiça pelos crimes que a Oposição lhe atribui.
Se Mugabe aceitar já a derrota, o MDC não só se compromete a não avançar com uma queixa contra o presidente, como lhe garante imunidade interna ou luz verde para se exilar.
Nesta altura, Robert Mugabe, que acreditava em mais um mandato, o sexto, está cada vez mais sozinho e começa a ver os seus tradicionais apoiantes, nomeadamente chefes militares, a abandonarem o barco.
Fontes ligadas às negociações garantem que Mugabe já aceitou exilar-se, embora o queira fazer com a dignidade institucional que entende ter direito. Isso signficará sair não como derrotado, mas como alguém que põe os superiores interesses do país acima das suas ambições autocráticas.
Como é que isso se consegue? Aceitará o MDC perder voluntariamente a segunda volta tendo a garantia de Mugabe que depois de reeleito resignará? Darão os militares o seu contributo "simulando" um golpe que anule a segunda volta e "legitime" a fuga do presidente?
"Uma coisa é certa no meio de toda a confusão. Mugabe só aceita sair se não levar o rótulo de derrotado porque isso é algo que nunca admitirá. Se aparecer uma solução do tipo você ganhou mas deve exilar-se, então ela aceitará", afirma um diplomata sul-africano que acompanha o processo eleitoral no Zimbabué.
E enquanto os políticos não encontram a saída, e porque o tempo urge, adensam-se os temores de que a longa espera e indefinição provoque sérios episódios de violência, um pouco à semelhança do Quénia.
A capital do país, Harare, já está cercada por um forte dispositivo militar e policial, o mesmo se passando nas principais cidades do país.
Os estados vizinhos também estão em alerta por temerem que o Zimbabué aumente ainda mais o fluxo do seu principal "produto" de exportação dos últimos anos os refugiados.
F: JN - Orlando Castro
|