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O Zimbabwe realiza hoje as primeiras eleições conjuntas da sua história, um acto em que os observadores internacionais foram escolhidos a dedo, tendo o presidente Robert Mugabe justificado que "ninguém dos países que o querem derrubar terá entrada no país".
Assim, para além dos observadores dos países africanos, só estarão presentes representantes do Brasil, Venezuela, Nicarágua, Jamaica, Rússia, China, Índia, Malásia, Indonésia e Irão numa consulta em que serão eleitos o presidente, os deputados e os autarcas de um país que vive uma crise política e económica sem precedentes.
Robert Mugabe, no poder desde a independência em 1980, é candidato à reeleição presidencial e deverá continuar no lugar, mau grado o seu adversário ser um político que fazia parte da classe política que rodeia o líder.
Simba Makoni, ex-ministro das Fiananças, decidiu abandonar o partido do Governo, a União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (Zanu-PF), não tanto - segundo os especialistas - para derrubar Mugabe mas para marcar terreno para o futuro.
Além de Mugabe e Makoni, está também na corrida Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para Mudança Democrática (MDC), partido já derrotado por Mugabe em 2002.
As sondagens no Zimbábue não têm grande valor científico mas, mesmo assim, apontam para a possibilidade de sérias dificuldades quer do presidente quer do seu Governo.
Se aplicada ao Zimbábue a filosofia ocidental, dir-se-ia que Mugabe terá de prestar contas pela grave crise de um país cuja inflação é de 150 000%.
"Apesar de algumas melhorias formais nas leis eleitorais, os zimbabueanos não têm liberdade para votar no candidato da sua escolha", afirma Georgette Gagnon, directora da Human Rights Watch.
No início deste mês, o comandante das Forças de Defesa, general Constantine Chiwenga, afirmou que os militares só estavam prontos para aceitar Mugabe, e o chefe da Polícia, Augustine Chihuri, declarou que não aceitaria que o país fosse governado por "marionetes apoiadas pelo Ocidente".
Orlando Castro
F: Jornal de Noticias
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