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O governo chinês negou hoje que o navio chinês estacionado em Angola tenha descarregado armas neste país africano e adiantou que não se trata do mesmo barco que carregava armas destinadas ao Zimbabué.
"É mentira", afirmou hoje Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, acrescentando que "o navio da empresa Zhongyuan apenas descarregou artigos comerciais" em Angola.
Segundo Qin, o barco que se encontra em Angola não é o mesmo navio chinês que foi alvo de críticas internacionais por tentar fazer chegar armamento ao Zimbabué através de Angola.
O porta-voz diplomático chinês reafirmou hoje aos jornalistas em conferência de imprensa de rotina que o navio que alegadamente transportava armas "já está de regresso à China".
A mesma posição já tinha sido manifestada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em Abril, quando a China foi acusada de tentar introduzir armas no Zimbabué.
Na mesma altura, em Angola, o presidente do Conselho de Coordenação dos Direitos Humanos (CCDH) do país, David Mendes, considerou existirem informações "relevantes" de que o navio que transportava o armamento estava a caminho de um porto angolano para descarregar, algo que Pequim continua a desmentir.
"A mercadoria não foi descarregada porque o Zimbabué não recebeu os bens na data prevista, e a empresa chinesa decidiu fazer regressar o navio de acordo com isso", disse Jiang Yu, porta-voz diplomática chinesa na ocasião.
Apesar dos apelos internacionais, nomeadamente dos Estados Unidos, para que a China não entregasse armas ao Zimbabué e pusesse termo a futuras exportações de armamento para o país africano, que vive momentos de tensão política, o governo chinês continuou a insistir em que a venda do armamento a bordo do navio An Yue Jiang era uma transacção legal e que decorria de um contrato assinado em 2007, antes da actual crise.
O An Yue Jiang é propriedade da empresa estatal chinesa de transporte marítimo COSCO.
O CCDH de Angola chegou a interpor uma providência cautelar junto do Tribunal Marítimo de Luanda para impedir a descarga do armamento em portos angolanos, no mesmo dia em que a Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes afirmou que o navio chinês poderia estar a navegar para o porto angolano do Lobito (Benguela).
Segundo um inventário que a imprensa sul-africana divulgou, o An Yue Jiang transportava seis contentores que contêm três milhões de munições para espingardas automáticas AK-47, 1.500 RPG (morteiros com auto-propulsão) e mais de três mil granadas de morteiro.
VZP.
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