"Começámos ontem (sábado) já com atraso, porque em certas circunscrições a preparação demorou mais do que o esperado e porque alguns agentes eleitorais se atrasaram", justificou Utoile Silaigwana, adjunto do presidente da comissão eleitoral.
"Inicialmente, prevíamos demorar três dias para levar a efeito esta operação, mas devido a estes atrasos vamos precisar de mais três dias", justificou o funcionário.
"Não se trata de um trabalho fácil e queremos garantir que, desta vez, não será cometido qualquer erro", acrescentou.
"Agora mais do que nunca, estamos convencidos de que o regime (no poder) está a gozar connosco", reagiu Nelson Chamisa, porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, oposição).
"Temos informação de que algumas urnas não foram seladas. É inacreditável, pelo que não aceitaremos os resultados deste processo fraudulento e criminoso", acrescentou Chamisa.
"A comissão eleitoral não passa de uma extensão da União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica (ZANU-FP, no poder)", considerou o porta-voz do MDC referindo-se ao partido do presidente Robert Mugabe.
A nova contagem foi exigida pelo partido no poder, invocando irregularidades. Estão em causa 23 dos 210 distritos do país, onde os zimbabueanos votaram em 29 de Março para eleger presidente, deputados, senadores e vereadores municipais.
O ZANU-FP, no poder desde a independência em 1980, perdeu oficialmente as legislativas. Mas os resultados da nova contagem podem permitir-lhe recuperar a maioria no parlamento, onde apenas alcançou, segundo os dados eleitorais, 97 assentos contra 109 para o MDC.
Os resultados da eleição presidencial, disputada entre Robert Mugabe, 84 anos, que lutava por um sexto mandato, e o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, 56 anos, ainda não foram anunciados, apesar dos protestos da oposição interna e das pressões internacionais.
JMA.
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