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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Canadá: Um acidente abafou a polémica sore a caça à foca Imprimir e-mail
Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.   
27-Abr-2007

Dos 16 barcos que se fizeram ao mar no sábado para a abertura da caça à foca no Canadá, 15 haviam ontem regressado aos portos em solidariedade com os três tripulantes do Acadien II, caçadores das ilhas da Madalena, mortos quando o seu navio afundou após embater num icebergue junto ao cabo Bretão.

Este incidente - e a responsabilidade da Guarda Costeira que rebocava o navio quando este se afundou - dominavam ontem a atenção dos canadianos, relegando para segundo plano a "guerra" entre caçadores e defensores dos animais, que todos os anos se enfrentam nos mares gelados.

Este ano, o Governo canadiano autorizou o abate de 275 mil focas dos 5,5 milhões que vivem na sua costa oriental. Suspeitas de que os caçadores tiravam a pele aos animais ainda vivos obrigaram-nos a seguir três passos: matar a foca com uma espingarda ou um bastão, confirmar que está morta e, só depois sangrá-la. Mesmo assim, os activistas continuam a considerar que a caça à foca é cruel e desumana.

A espessa camada de gelo que cobre a zona da Nova Escócia dificultou este ano o início da temporada, que só em Abril começa em pleno. Mesmo assim, quando os primeiros barcos saíram da pequena comunidade piscatória das ilhas da Madalena, os defensores dos animais entraram em helicópteros, decididos a observar e documentar a actividade controversa.

O navio holandês Farley Mowat, propriedade da Sociedade para a Conservação Sea Shepherd, tentou posicionar-se na zona de caça, terá sido forçado a voltar para trás pelas autoridades canadianas. "Não podem impedir a passagem de um navio estrangeiro na sua zona económica", disse ao Le Devoir o presidente da Sea Shepherd. Paul Watson admitiu que "quanto pior o ministro [da Pesca e dos Oceanos] se portar, melhor para nós". Outros activistas acusaram o Governo do conservador Stephen Harper de estar a "encobrir a matança" deste ano. Para Rebecca Aldworth, directora da secção canadiana da Sociedade Humana dos Estados Unidos, isso só prova que "se passam coisas que é preciso esconder no gelo da costa oriental do Canadá", disse ao site Canada.com.

Este início de polémica foi abafado após o acidente do Acadien II, que se afundou nas águas geladas do Golfo de São Lourenço, junto ao cabo Bretão. Dos seis tripulantes, dois sobreviveram, três foram encontrados mortos e um continuava ontem desaparecido. A Guarda Costeira, chamada para ajudar o Acadien II devido a um problema no mastro, rebocava o navio quando este embateu no gelo espesso que cobre o mar naquela zona.

Bruno-Pierre Bourque, um dos sobreviventes do acidente, explicou à Radio-Canada que o quebra-gelo que rebocava o navio não terá percebido que este embatera no gelo e "continuou a acelerar". Bourque, cujo pai, comandante do Acadien II, é uma das vítimas mortais, disse ainda que nenhum guarda estava a vigiar a manobra. A Guarda Costeira tem tido muito trabalho este ano, devido ao mau tempo e à espessa camada de gelo que dificulta as manobras aos navios dos caçadores de focas. O superintendente Mike Voigt, de Halifax, já anunciou a abertura de um inquérito ao que aconteceu ao largo do cabo Bretão.

Nas ilhas da Madalena, de onde eram oriundas todas as vítimas, a população estava em choque. Marcados por uma tragédia semelhante em 1990, poucos tinham dúvidas sobre a responsabilidade da Guarda Costeira, enquanto se interrogavam porque é que os caçadores ficaram dentro do navio enquanto este era rebocado. Além do comandante Bourque, as outras vítimas mortais são Marc-André Deraspe, promessa do hóquei que aos 20 anos fazia a sua primeira temporada de caça à foca, e Gilles Leblanc, caçador na casa dos 50 anos. O homem que continua desaparecido tinha um filho de dois anos.

A comunidade das ilhas da Madalena (15 mil pessoas) receia agora que a temporada de caça esteja arruinada, o que significaria um corte de seis mil dólares no orçamento anual das famílias, em média 30 mil dólares. A caça à foca contribuiu com um milhão de dólares para o orçamento das ilhas. A pele de uma foca vale entre 50 e 60 dólares e o óleo é usado para fabrico de produtos farmacêuticos.

F: DN - HELENA TECEDEIRO

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