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A Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou nesta segunda-feira (19) a realização de pesquisas científicas com embriões híbridos, criados a partir de uma combinação de DNA humano e animal.
Após mais de três horas de debate, os deputados rejeitaram, por 336 votos contra e 176 a favor, uma emenda do Partido Conservador que propunha a proibição total do uso deste tipo de embrião em pesquisas médicas. A liberação do uso de embriões híbridos para fins terapêuticos se insere no projeto de lei de Embriologia e Fertilidade Humana, que atualmente tramita no Parlamento. O texto, um dos carros-chefe do governo trabalhista do primeiro-ministro Gordon Brown, tem como objetivo atualizar a atual legislação, de 1990, com os últimos avanços científicos. A proposta para o uso de embriões híbridos em pesquisas causou polêmica no Reino Unido, a ponto de Brown ter de liberar o voto de seus correligionários para evitar uma rebelião dentro do seu próprio partido. Para vencer a resistência dos críticos, principalmente da Igreja Católica, o primeiro-ministro pediu ontem aos deputados que apoiassem o projeto de lei por considerar que o texto supõe "um esforço intrinsecamente moral" que poderia salvar e melhorar a vida de milhares de pessoas. Aberrações A Igreja Católica do Reino Unido acusa a nova legislação de ser imoral, violar os direitos humanos e permitir aberrações. Brown, cujo filho mais novo, Fraser, sofre de fibrose cística, uma doença genética, também alegou que o cultivo de células-tronco a partir de embriões híbridos é crucial para o desenvolvimento de tratamentos para enfermidades como o mal de Parkinson ou o Alzheimer. Os cientistas também dizem que a criação de embriões híbridos com núcleos celulares humanos em óvulos animais esvaziados (que seriam utilizados para cultivar células-tronco e seriam destruídos após 14 dias, antes de virarem fetos) compensaria a atual escassez de doações de óvulos humanos.
da Efe, em Londres
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