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Pesquisadores encontraram micróbios vivendo a uma profundidade recorde de 1,6 mil metros sob o leito do Atlântico, num ambiente em que as temperaturas chegam a 100 graus Celsius.
Estudo publicado na "Science" aponta a descoberta como um indício de que formas de vida podem ter evoluído no subsolo de outros planetas. A descoberta de micróbios procariontes (formados por uma única célula sem núcleo) sob o leito do mar próximo a Newfoundland, no Canadá, é considerada extremamente significativa porque, segundo especialistas, pode alterar até mesmo a própria definição de vida. " Trata-se do local mais profundo, mais antigo e mais quente em que formas de vida procariontes foram encontradas "
- Trata-se do local mais profundo, mais antigo e mais quente em que formas de vida procariontes foram encontradas - afirmou John Parkes, da Universidade de Wales, co-autor do estudo. Os micróbios foram encontrados em sedimentos de 111 milhões de anos, numa área onde as temperaturas variam de 60 graus Celsius a 100 graus Celsius. Os procariontes são organismos primitivos, que englobam alguns tipos de bactérias. A ausência do núcleo os distingue dos eucariontes, grupo ao qual pertencem os animais e as plantas. - Se existe uma biosfera substancial no subsolo da Terra, ela poderia existir em ouros planetas também - disse Parkes, que acredita que esses micróbios possam sobreviver a até 4 mil metros sob o subsolo. - Mas coletar uma amostra da superfície de Marte não vai revelar se existe vida no planeta ou não. Os cientistas não conseguiram determinar se os micróbios encontrados recebem alguma energia solar - fonte de toda a vida na superfície da Terra. Uma das hipóteses levantadas é de que eles não dependem do Sol e contam apenas com energia geoquímica, como outras formas de vida já encontradas em fendas vulcânicas oceânicas. Os especialistas acreditam que os procariontes encontrados se alimentam de metano, formado pela compressão de plantas há milhões de anos. De onde teriam vindo essas células vivas que habitam profundezas tão grandes permanece um mistério. Elas podem ter sido gradualmente enterradas em sedimentos ao longo de milhões de anos e, gradualmente, se adaptado ao aumento das temperaturas e da pressão. Outra possibilidade é que elas tenham ido naquelas profundezas por sucção. Quando as fendas hidrotermais lançam água quente do subsolo no oceano, cria-se um vácuo no sedimento que poderia tragar água para o fundo. Segundo os cientistas, é importante determinar como as células chegaram lá porque isso ajudaria a determinar a sua idade. As novas descobertas podem complicar os planos de alguns países de enterrar gases do efeito estufa originários da queima de combustíveis fósseis a grandes profundidades sob o leito dos oceanos - região que se acreditava seria desprovida de formas de vida. O Globo Online
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