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O Presidente da Comissão Nacional Inter-sectorial de Desminagem e assistência Humanitária, Santana André Pitra "Petroff", afirmou nesta quarta-feira, em Luanda, que Angola está a desencadear uma "guerra" deliberada contra as minas, da qual todos os cidadãos devem dar a sua colaboração directa.
"Nessa hora a gente compreende que o país vive sobre minas; estamos numa guerra contra as minas, e é preciso que cada cidadão compreenda isso", declarou o responsável à imprensa, no final do concurso de beleza Miss Sobrevivente de Minas, ganho pela concorrente de Luanda, Augusta Hurica, 31 anos.
Para Pitra Petroff, o objectivo da sua comissão foi atingido em pleno, na medida em que a realização desse evento veio ajudar a sensibilizar a sociedade sobre as causas do surgimento desses engenhos no país.

"Conseguimos resgatar aquilo que é o nosso património aqui para o país. Pela primeira vez organizamos, e são outras pessoas que devem comentar. Conseguimos realizar aqui e sensibilizar para o problema principal que temos: as causas. As vítimas são as causas; as minas", concluiu em breves palavras à comunicação social.
Por sua vez, o vice-presidente da Federação Angolana de Basquetebol, Jean Jacques da Conceição, considerou o evento como uma forma de valorizar as vítimas de minas, alertando que qualquer cidadão corre o risco de, algum dia,estar no estado de deficiente.
Para o ex-atleta da selecção nacional, o facto de Angola ser um dos "países com mais minas" anti pessoal no mundo desestabiliza as famílias, sobretudo aquelas cuja actividade principal é a agricultura, daí ter solicitado mais apoios a essas vítimas.

"Angola é um dos países com mais minas no mundo. Sabendo que o país vive normalmente da agricultura, posso afirmar que uma parte da população fica, à partida, sem os seus bens de riquezas familiares. Algumas dessas pessoas são desprezadas. Temos que arranjar forma de dizer à sociedade que não se despreza o próximo".
Esse evento, considerou, vai ajudar a mostrar e lembrar às pessoas que a mina existe, levando-as a dar, aos poucos, mais oportunidade de trabalho, negócio e inserção social a essas pessoas, muitas dos quais com mais capacidade do que cidadãos sãs.
De igual modo, o coordenador do Comité Miss Angola, Filipe Dylon, disse tratar-se de um evento com grande valia em termos sociais, razão pela qual o seu elenco deu o apoio possível em termos de orientação técnica, além de algum suporte material.
"Fico muito feliz de eles terem criado essa iniciativa. É uma classe que ficou desfavorecida por causa desse acidente, daí merecer total apoio da sociedade. Mandamos alguns medicamentos, camisinhas (…), para prestigiar o concurso".
Para ele, de nacionalidade brasileira, Angola é um dos países onde ainda existe grande preocupação com o caso das minas, embora esteja chegando aos poucos à resolução definitiva desse problema social criado pela guerra.
Na mesma senda, a Miss Angola 2008, Lesliana Pereira, disse ser esta uma forma de mostrar ao mundo que a beleza de um ser humano não está só na imagem exterior, mas também em todas as manifestações e formas de encarar a vida.
O concurso, opinou, servirá para motivar as mulheres deficientes e não só a continuarem a lutar em busca de um futuro melhor, tendo encorajado-as a olhar à frente e vencer as dificuldades próprias de uma sociedade em reconstrução.
"Há que olhar em frente e ter auto estima. Há que encarar isso como um acto de coragem. Isso é confortante. Elas acreditam em si.
Espero trabalhar em parceria com a candidata eleita, fazendo um reinado melhor", considerou.
Prometeu lutar com a vencedora do Miss Sobrevivente de Minas na luta, porquanto a sua província, Zaire, é uma das que muito sofre com o problema das minas.
F: Angop
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obrigado pela compreenssão.