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Angola: O processo de desmobilização militar pode durar mais dez anos, Francisco Pereira Furtado |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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18-Ago-2008 |
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Angola registou, nos três processos de paz, 300 mil desmobilizados, incluindo antigos combatentes dos três movimentos de libertação nacional, que, desde 1992, têm sido reinseridos socialmente através de um programa previamente concebido para o efeito. Mais de 50 por cento do total já foram reinseridos e cerca de 47 por cento continuam a ser atendidos.
De acordo com o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, general de exército Francisco Pereira Furtado, que falava recentemente em Luanda, quando recebeu, em audiência, militares/estudantes do Colégio de Comando e Estado Maior das Forças de Defesa do Zimbabwe, entre 2002 a 2006 as FAA previam, igualmente, desmobilizar 30 mil efectivos, fora dos 300 mil referenciados.
Mas, para se evitar o congestionamento do processo que data de 1992, pretende-se retomar o novo processo dentro de dois anos. “Este processo ainda vai levar seis, oito ou 10 anos porque o volume de desmobilizados é grande e há sargentos e soldados que estão há mais de 10 anos nas Forças Armadas Angolanas, que devem sair para entrar novos, e serem reinseridos na vida civil”, esclareceu.
Para o general Francisco Furtado, trata-se de um programa complexo porque abrange uma formação profissional para os ex-militares, em todo o país, nas diferentes especialidades, de acordo com a opção de cada um, revelando que anualmente são formados entre 20 a 30 mil antigos militares. Após a conclusão da formação, recebem, gratuitamente, kits para o desenvolvimento das suas actividades, e, nalguns casos, também kits pessoais.
A alta patente militar explicou aos estudantes do Colégio de Comando que a província setentrional do país, Cabinda, conheceu em 2006 um outro processo de paz entre o Governo e a FLEC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda), que desde 1974 lutava para a desintegração de Cabinda do resto de Angola.
O acordo de paz foi assinado por intermédio do Fórum Cabindês para o Diálogo, que congregava a FLEC, e, segundo Francisco Furtado, no referido processo foram desmobilizados 2.500 militares e integrados 800 nas FAA, dentre oficiais generais e soldados da FLEC.
“Cabinda está a desenvolver um programa particular de reintegração social dos ex-militares, com a construção de casas e cedência de terrenos agrícolas para os desmobilizados da FLEC. É uma experiência nova que poderá servir para outras províncias”, aclarou o chefe de Estado Maior General das FAA.
Fonte:JA
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