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A Comissão Nacional Interministerial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH) de Angola anunciou hoje um programa de recolha de dados para obter, até Dezembro de 2009, o número exacto de vítimas de minas terrestres no país. Segundo estimativas oficiais, o número de vítimas oscila entre 80 mil a 90 mil, mas para preparar um plano nacional de assistência a CNIDAH quer saber ao certo "quantas são, onde estão, o que fazem e quais as suas necessidades".
Para organizar este sistema de recolha de dados, a CNIDAH organizou um seminário que contou com a participação de representantes de organizações não governamentais (ONG), governos provinciais, departamentos de diversos ministérios e organizações governamentais. O programa, que será executado em três fases até Dezembro de 2009, altura em que serão anunciados os resultados, compreende a recolha de dados, a actualização permanente do sistema e a definição de um sistema de assistência às vítimas de minas. Até Dezembro de 2009 vão ser gastos dois milhões de dólares norte-americanos (1,34 milhões de euros). Angola é um dos países do mundo com mais minas terrestres, apontando as estimativas internacionais para cerca de 10 milhões, resultado de 40 anos de conflitos, somando o período de 13 anos de guerra colonial(1961-1974) aos 27 anos de guerra civil(1975-2002) entre as forças da UNITA e do MPLA. Balbina da Silva, coordenadora da Acção de Minas da CNIDAH, explicou à Agência Lusa que antes de iniciar o levantamento de dados "é necessário sensibilizar as pessoas para não criar expectativas imediatas". "O objectivo fundamental deste programa é fazer o levantamento e, depois, desenhar os projectos que, esses sim, vão visar a resolução dos seus problemas", disse. Balbina da Silva alertou ainda, em declarações à Lusa, que existe a consciência de que o país vai ter de conviver durante muito tempo com este problema, nomeadamente as novas várias dezenas de vítimas que surgem todos os anos. "Nos nossos programas de desminagem, temos também no terreno acções de sensibilização para conseguir diminuir os índices de novas vítimas. Mas, para responder ao crescimento do número de vítimas, o programa de recolha de dados prevê a sua actualização sistemática", adiantou. Um dos vice-governadores provinciais presentes neste seminário, Augusto Justino, do UIGE, que tem a seu cargo a área Económica e Social, explicou à Lusa que, para além da recolha de dados, "há já um trabalho em curso para ajudar as pessoas a ultrapassar as suas dificuldades". A título de exemplo referiu o Centro Ortopédico Regional do Ngage(UIGE), que atende também as províncias de Malange, Kwanza-Norte e Zaire, algumas das mais fustigadas por este fenómeno em Angola. O vice-governador admitiu que este centro se debate com problemas relacionados com a falta de material para a construção de próteses, mas adiantou que já tem garantias do Ministério da Saúde angolano de que a situação será resolvida. "É preciso ter em conta que Angola foi palco de muitos conflitos com muitos protagonistas, desde as Forças Armadas portuguesas (guerra colonial), sul-africanas, zairenses (actual RDCongo), sul-africanas, da UNITA, do governo (MPLA), até aos guerrilheiros do ANC (África do Sul) à SWAPO(Namíbia)", sustentou. RB/NME. Lusa/fim
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