|
Censo populacional em Angola nos próximos anos vai custar 70 milhões de dólares |
|
|
|
Escrito por : Cfr. no fim da pág
|
|
22-Jun-2008 |
|
O Governo angolano poderá gastar cerca de 70 milhões de dólares na realização de um censo populacional, previsto para os próximos anos. Para tal, o Instituto Nacional de Estatística (INE) está a levar a cabo o processo de actualização da cartografia censitária e a preparação dos diplomas legais para suportar a actividade. Angola não realiza censo populacional há 30 anos.
Actualmente, a produção de uma informação estatística normal em Angola ronda o valor de um milhão de dólares, montante equiparado ao gasto por outros países neste tipo de operações. Os dados foram fornecidos pelo (antigo) director-geral do Instituto Nacional de Estatística (INE), Flávio Couto, que falava em Luanda à margem do seminário sobre organização e gestão dos institutos nacionais de estatísticas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Em qualquer parte do mundo, é muito cara a produção de informação estatística de qualidade, uma vez que a realização sistemática de recenseamento e inquéritos aos agregados familiares e às empresas exige enormes investimentos em formação, equipamentos, instalações e meios materiais.
Segundo Flávio Couto, os recursos disponíveis nos países africanos são escassos e muitas vezes incipientes para o cumprimento das missões essenciais.
Para o director-geral do INE, os sistemas estatísticos nacionais são um dos componentes essenciais das estruturas institucionais de qualquer estado moderno, sem os quais as decisões económicas e a configuração de políticas não são realizáveis no melhor ambiente de racionalização das escolhas e de eficiência dos resultados.
Porém, a disponibilidade e a qualidade de informações estatísticas dependem da compreensão dos fenómenos e da decisão das melhores políticas de correcção ou de sustentabilidade, daí que o espaço de actuação da intuição das escolhas, públicas ou privadas, está hoje bastante reduzido, não sendo aceitáveis decisões de afectação de recursos que sejam tomadas sem utilização da informação estatística.
Parte das actividades do Instituto Nacional de Estatística (INE) inclui a implementação de um programa global de recenseamento geral das populações. Este é um dos grandes desafios que o instituto tem a realizar no futuro, no quadro da ronda censitária de 2010. No próximo ano irá ser finalizado o processo do novo Plano de Estatística de médio prazo, que terá como principal actividade a preparação do próximo censo populacional.
“O nosso país não realiza um censo populacional há 30 anos. Somos o único país que se encontra nesta situação”, realça Flávio Couto, para quem Angola vai realizar um dos censos mais caros de África.
Como referência, o INE vai basear-se na experiência de outros países, uma vez que Angola saiu de um período de guerra, encontrando-se numa fase de reconstrução. Texto publicado, pela primeira vez, em Dezembro de 2006, ano em que a fonte ainda desempenhava o cargo de director do Instituto Nacional de Estatística.
Fonte:Jornal de Angola
|