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As fortes chuvas que desde o dia 1 de Abril do corrente mês se abatem quase que ininterruptamente sobre a cidade de Luanda têm deixado intransitáveis alguns bairros.
Numa ronda efectuada ontem pelo Jornal de Angola a alguns destes bairros, constatou-se que as chuvas provocaram grandes transtornos aos luandenses. No município do Sambizanga foi visível a intransitabilidade de algumas vias de acesso ao interior do bairro, como por exemplo as ruas Lueji Ankonda e a Ngola Kiluange, esta última em obras de reabilitação.
Moradora no bairro Cuba, município do Sambizanga, Joana Pedro disse que como habitante de Luanda o sentimento que tem é de tristeza, uma vez que a cidade ainda não está preparada para receber fortes enxurradas.
No local, o Jornal de Angola pôde registar a invasão de água no interior de residências, o que obrigou alguns moradores a procederem a um árduo trabalho de retirada do líquido.
“As chuvas provocam muitos estragos no seio da população, principalmente a nós que vivemos na periferia da cidade”, disse.
Em bairros como o Tala Hady, Asa Branca, Cuca e Hoji-ya-Henda, do município do Cazenga, a situação não difere muito dos bairros do Sambizanga. Aí também muitas residências foram invadidas pelas águas das chuvas que caem diariamente na cidade capital.
A falta de um sistema eficiente de drenagem para o escoamento está na base da situação. No Hoji-ya-Henda, um dos maiores centros comerciais de Luanda, os armazéns não puderam abrir as portas devido aos grandes charcos de água que se criaram à sua volta.
No bairro Asa Branca a situação é pior. As duas vias de acesso ao bairro e mercados, isto é, a 5ª Avenida e a rua do embondeiro do Cazenga, estão intransitáveis.
Nestas zonas, as pessoas usavam botas e outro calçado “a todo terreno” para transitar por aqueles locais. Faustino Alberto, morador do Asa Branca, disse sentir horror quando chove em Luanda, porque “a cidade fica mergulhada num mar de dificuldades e não se vislumbra uma solução urgente para se ultrapassar a situação”.
Segundo ele, nunca se sabe realmente o que pode acontecer quando as chuvas se abatem sobre Luanda, uma cidade que tem vivido problemas de saneamento básico. Numa incursão ao Rangel, o Jornal de Angola verificou que realmente a cidade não está preparada para receber grandes quantidades de água.
No bairro da Precol, um bairro urbanizado, nota-se grande concentração de água nas ruas e ruelas.
No bairro Zangado, situado junto à Precol, a situação não foge muito à realidade doutras áreas.
Viam-se moradores a retirarem grandes quantidades de água do interior das residências e deitá-la para fora, muitas vezes para a estrada. O cenário que se vive no Zangado é igual ao do Marçal.
As principais vias de acesso ao interior do bairro do Rangel também estão intransitáveis. Tratam-se das ruas do México, Paraná, Pica-Pau, onde não é possível transitar. As pessoas são obrigadas a usarem botas para andarem pelas ruas.
Para Fernando Capoco, funcionário de uma empresa de segurança privada, refere que com estas chuvas a vida dos cidadãos fica complicada. “Não se consegue ir ao mercado porque está tudo cheio de água. Aumentam-se os casos de doenças. As casas ficam inundadas. É impossível circular à vontade pela cidade capital, porque os táxis estão a encurtar as rotas e andar a pé é difícil”, disse.
Fonte:Jornal de Angola
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