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A província do Huambo foi um dos palcos das mais violentas batalhas durante o conflito armado que opôs o Governo e a UNITA. Algumas marcas ainda são visíveis e muitos dos seus filhos querem apagá-las da memória, de uma vez por todas. Por isso, não querem ouvir falar da hipótese de um eventual conflito pós-eleitoral, numa altura em que faltam 5 meses para a realização as eleições legislativas (nos dias 5 e 6 de Setembro deste ano).
Nas conversas que mantivemos com vários cidadãos aqui na cidade do Huambo, uma frase ressaltou: "guerra nunca mais". Por isso, estão dispostos a denunciar eventuais preparativos para a guerra da parte de quem quer que seja, tudo porque não querem voltar a sofrer as consequências de um conflito pós- eleitoral.
Ngueve Nangombe, uma anciã de 64 anos de idade, que nasceu e viveu os vários períodos de guerra na cidade do Huambo, fez uma declaração que evidencia um desgaste motivado pelo longo tempo de conflito que o país viveu: "se retornar a guerra depois das eleições vou me atirar na cacimba", avisou, visivelmente desconfiada quanto ao futuro de Angola, depois das eleições legislativas que terão lugar em Setembro próximo. Na mesma senda, João Makiady, um antigo militar que perdeu os seus pais durante o conflito armado, disse que não tem mais interesse em voltar a vestir a farda, sobretudo para lutar contra irmãos do mesmo país.
"Aceito voltar a vestir a farda, mas para lutar contra eventuais invasores e não contra irmãos. Pode haver diferença nas cores partidárias, mas o que queremos é a reconstrução do nosso país e a recuperação do tempo perdido”, reforçou.
Durante a conversa que mantivemos com Makiady, numa casa de venda de bebidas fermentadas, o nosso interlocutor, fez-nos um desaabafo: "Sou do Uíge, estou aqui por causa da guerra e já constituí uma família. Neste momento estou preocupado com a continuidade da minha formação e não posso mais adiar. Tenho 35 anos de idade e estou a terminar o ensino médio apenas agora por causa da guerra", explicou.
Naquela cidade podemos ainda notar que o clima ainda é de desconfiança, uma vez que grande parte das pessoas, maioritariamente estudantes e trabalhadores por conta própria, preferiu não se identificar.
Algumas reações foram ríspidas: Não posso falar porque não sei quem é o senhor de facto. No passado já foi assim e muita gente perdeu a vida. Por isso, não estou disposto a dar entrevista”, disse um citadino.
Entretanto, todos os que acederam falar manifestaram-se pela paz, sobretudo porque a vida vai se recompondo no Huambo. Os escombros da guerra vão dando lugar à reabilitação que só é possível com a paz. O comércio também vai ganhado outro impulso. Nas ruas podem ser vistos vários estabelecimentos comerciais que prestam serviços antes inexistentes.
As ruas também ganham outra imagem, fazendo renascer a esperança numa cidade que viveu horrores.
"Está bem que estão a reabilitar às estradas, a construir hospitais e escolas. mas tenho desconfiança. Vamos esperar para ver o que vai dar depois das eleições", disse um citadino que preferiu o anonimato.
F.J.K., um motociclista "Kupapata", pronunciou-se assim em relação as eleições: "não quero saber. Quero apenas continuar a fazer o meu trabalho”.
Fonte:Angolense (Miguel Kitari | Huambo)
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