|
Miguel Lemos, actualmente chefe do gabinete de Relações Externas do Tagus Park, antigo jornalista que integrou os quadros redactoriais da Rádio Renascença e da RTP, morreu, ontem, na sua casa, em S. João do Estoril, onde se encontrava sozinho. Uma vez que não tinha um historial clínico de doenças graves, a família aguarda a realização de autópsia, com o objectivo de esclarecer as causas da morte.
Nascido em Luanda há 52 anos, Miguel Lemos radicou-se em Portugal após a independência de Angola.
Ao serviço da RTP, viria a ser um dos primeiros jornalistas a entrar em Timor-Leste, após a invasão do território sob administração portuguesa pela Indonésia, em 1975.
Foi na estação pública de televisão que a sua carreira de jornalista ganhou especial projecção, a vários níveis. Além de repórter, ocupou também lugares de chefia. Editor e coordenador de Informação e de Programas, chegou a coordenar o Telejornal, como salienta uma nota informativa da RTP, enviada à Agência Lusa.
Seria ainda apresentador de "Fogo Cruzado" - um programa quinzenal de debate em torno de temas da actualidade, sobretudo política - e correspondente, em Moçambique e no Brasil, as últimas funções desempenhadas no canal público.
Para lá da actividade como jornalista, que abandonou há alguns anos, foi de 1986 a 1991 director do Gabinete de Comunicação Social de Macau e marcou presença na literatura. No ano passado, publicou o livro "A Caminho do Horizonte". Editada pela Gradiva, a obra aborda uma arriscada viagem a bordo de um veleiro sem motor entre Angola e Portugal, que se cruza com a história recente de África.
O corpo de Miguel Lemos estará em câmara ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, a partir de amanhã, não se sabendo ainda onde será cremado.
F: Jornal de Noticias
|