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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Huíla: O sociólogo Paulo de Carvalho defende elaboração de uma nova Carta Étnica de Angola Imprimir e-mail
Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.   
20-Mar-2008

O sociólogo angolano Paulo de Carvalho defendeu quarta-feira, na cidade do Lubango, a execução de um estudo profundo para a elaboração de uma nova Carta Étnica de Angola, que respeite a verdadeira identidade dos povos que habitam o território nacional.

O académico, que falava durante o lançamento da obra "Homem é Home, Mulher é Sapo, Género e Identidade Entre os Handa no Sul de Angola", da antropóloga, Rosa Melo, sugere que o Estado angolano deve financiar um projecto de investigação a respeito.

Sustentou que Angola tem quadros capazes para levar a cabo este estudo e apelou aos investigadores angolanos, particularmente, antropólogos, a buscar auxílios de sociólogos e historiadores.

Para efeito, lembrou paulo de Carvalho, cabe aos especialistas angolanos a execução deste amplo projecto, contando o concurso de investigadores estrangeiros, fundamentalmente, na sua etapa de concepção.

" (...) esperemos que esta sugestão venha ser acolhida de bom grado pelas autoridades competentes para o financiamento, com vista de repor a verdade antropológica e histórica de Angola", frisou.

Paulo de Carvalho adiantou que enquanto não se fizer este estudo, os angolanos continuarão a compactuar com distorções e atropelos a identidade étnica dos seus povos e isto faz com que as populações se considerem marginalizadas e espezinhadas a sua identidade.

Sugere que neste processo as regras académicas e metodológicas não foram seguidas, foi o interesse colonial e a comodidade que determinaram a forma como se deveria considerar a carta étnica de Angola, tal como foram definidas as fronteiras em África.

Na sua defesa de tese, Paulo de Cravalho exemplifica, a dimensão da problemática, que o grupo étnico Lunda-Cokwe não existe, justificando que o mesmo habita o espaço territorial com o do Império Lunda, invadido pelos Cokwes, e coabitam actualmente.

Ao explicar as imprecisões classificativas sobre a matéria, o sociólogo angolano lembrou igualmente que os Khoi Khoi e os San são dois grupos distintos e, erradamente, foram chamados de Khoisan, adaptando-os a identidade étnica, de acordo com a divisão administrativa colonial.

Com efeito, o sociólogo acrescenta que existem diferenças culturais, linguística, identidade e costumes entre estes grupos, cuja fusão étnica seria impossível.

A abordagem do tema pelo sociólogo, surge pelo facto da obra da antropóloga Rosa Melo retratar a diferenciação étnica em Angola e ressalta a necessidade de chamar atenção para pormenores de natureza científica e metodológica relacionados com a Carta Étnica de Angola.

A obra, editada pela Colibri de Portugal, possui 110 páginas e surge da necessidade de resgatar a identidade dos Handa, um grupo forçadamente fundido ao grupo etno-linguístico Nyaneka-humbi, na região sul do país.

F: Angop

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Comentários (2)Add Comment
...
escrito por Marcos Carvalho, Setembro 19, 2008
Sou um brasileiro que está pesquisando sobre os grupos étnicos de angola e pelas dificuldades que tenho encontrado na pesquisa pela internet creio que o professor Paulo Carvalho tem razão em suas afirmativas. É difícil até mesmo definir quais são os grupos étnicos e também confundem-se os nomes das etnias com os idiomas falados.

Se alguém tiver alguma informação estruturada que possa me dar sobre etnias e liguas de Angola por favor me enviem. Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail
Grato
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...
escrito por MANUEL DE ASSUNÇÃO TAVEIRA JOSÉ, Maio 02, 2008
Sou Estudante de Sociologia do Quarto ano em Angola.
A respeito das afirmações do Professor Paulo de Carvalho, penso
que já era sem tempo de o fazerem.
Se notarmos os estudos sobre os grupos étnicos no território angolano vêm desde a muito, com o livro de José Redinha e pensamos ser urgente um novo estudo por quanto tem havido alteções no plano cultural nacional.
No que tange aos estudos sobre os grupos étnicos angolanos para além de Redinha, temos alguns escritos do Bispo José Quipongo, algumas notas do professor Victor Kajibanga. Seria apartir do trabalho destes homens que comecaria uma nova história nos escritos sobre a antropologia angolana.
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