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O sociólogo angolano Paulo de Carvalho defendeu quarta-feira, na cidade do Lubango, a execução de um estudo profundo para a elaboração de uma nova Carta Étnica de Angola, que respeite a verdadeira identidade dos povos que habitam o território nacional.
O académico, que falava durante o lançamento da obra "Homem é Home, Mulher é Sapo, Género e Identidade Entre os Handa no Sul de Angola", da antropóloga, Rosa Melo, sugere que o Estado angolano deve financiar um projecto de investigação a respeito.
Sustentou que Angola tem quadros capazes para levar a cabo este estudo e apelou aos investigadores angolanos, particularmente, antropólogos, a buscar auxílios de sociólogos e historiadores.
Para efeito, lembrou paulo de Carvalho, cabe aos especialistas angolanos a execução deste amplo projecto, contando o concurso de investigadores estrangeiros, fundamentalmente, na sua etapa de concepção.
" (...) esperemos que esta sugestão venha ser acolhida de bom grado pelas autoridades competentes para o financiamento, com vista de repor a verdade antropológica e histórica de Angola", frisou.
Paulo de Carvalho adiantou que enquanto não se fizer este estudo, os angolanos continuarão a compactuar com distorções e atropelos a identidade étnica dos seus povos e isto faz com que as populações se considerem marginalizadas e espezinhadas a sua identidade.
Sugere que neste processo as regras académicas e metodológicas não foram seguidas, foi o interesse colonial e a comodidade que determinaram a forma como se deveria considerar a carta étnica de Angola, tal como foram definidas as fronteiras em África.
Na sua defesa de tese, Paulo de Cravalho exemplifica, a dimensão da problemática, que o grupo étnico Lunda-Cokwe não existe, justificando que o mesmo habita o espaço territorial com o do Império Lunda, invadido pelos Cokwes, e coabitam actualmente.
Ao explicar as imprecisões classificativas sobre a matéria, o sociólogo angolano lembrou igualmente que os Khoi Khoi e os San são dois grupos distintos e, erradamente, foram chamados de Khoisan, adaptando-os a identidade étnica, de acordo com a divisão administrativa colonial.
Com efeito, o sociólogo acrescenta que existem diferenças culturais, linguística, identidade e costumes entre estes grupos, cuja fusão étnica seria impossível.
A abordagem do tema pelo sociólogo, surge pelo facto da obra da antropóloga Rosa Melo retratar a diferenciação étnica em Angola e ressalta a necessidade de chamar atenção para pormenores de natureza científica e metodológica relacionados com a Carta Étnica de Angola.
A obra, editada pela Colibri de Portugal, possui 110 páginas e surge da necessidade de resgatar a identidade dos Handa, um grupo forçadamente fundido ao grupo etno-linguístico Nyaneka-humbi, na região sul do país.
F: Angop
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