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O velho hospital provincial do Uíje está a beneficiar de obras de reabilitação, através do Gabinete de Gestão dos Projectos de Investimentos Públicos, facto que tem contribuído para que o mesmo, hoje, possa congregar uma vasta gama de serviços, tais como os de ginecologia e obstetrícia, medicina geral, ortopedia, pediatria, ima- giologia, hemoterapia, cirurgia, entre outros. Em suma, em termos de atendimento, o hospital tende a considerar-se, cada vez mais, como uma referência em termos qualitativos.
As obras de restauro da estrutura física e de construção de novos espaços, segundo o seu director-geral, Óscar Paulo, foram feitas em função das necessidades de emergência, devido às grandes dificuldades relacionadas com o atendimento e a assistência médica e medicamentosa aos pacientes, que para lá acorrem diariamente em busca de soluções para os problemas de saúde de que enfermam.
Óscar Paulo referiu que as obras, que foram feitas em situação de emergência, deverão ser substituídas por outras, novas. “Para tal, teremos que reunir os técnicos e começarmos, já, a discutir sobre o que queremos em termos de hospital de longo prazo, dentro deste vasto espaço que nos assiste”, disse.
Segundo o director-geral, está em curso um plano director que compreende não só as estruturas físicas do hospital mas também os seus serviços de assistência médica. O plano está a ser estudado quer pelo governo local, quer pelo Ministério da Saúde, e compreende três fases de execução.
“A primeira fase, que já é visível hoje, consiste na vedação total do hospital provincial.
Para nós, esta era a primeira prioridade, porque o hospital tinha acessos inevitáveis. Isso era mau para a segurança do pessoal em serviço e para o ambiente de trabalho, porque o hospital era completamente assediado pelos familiares dos doentes e os técnicos não encontravam um ambiente salutar para trabalhar”, disse o médico, para quem hoje as coisas mudaram para melhor.
Refeitório atende 62 pessoas
Um refeitório com capacidade para atender 62 pessoas sentadas, apto para suportar o volume de técnicos e de outros funcionários que estejam em serviço, em diferentes períodos de trabalho, foi já construído e compreende a segunda fase do plano director, em execução.
A segunda fase compreende ainda a área do ambulatório, construída recentemente para permitir que se realizem consultas externas, da melhor maneira possível.
“Pela demanda do trabalho, os doentes graves não tinham um acompanhamento sistemático depois da alta. Esta área foi construída para permitir que os médicos estejam lá, a catalogação também esteja lá, para que o doente de hipertensão, de diabetes ou o doente operado, depois da alta, possa voltar para uma consulta marcada, e o médico possa fazer o acompanhamento de forma regular”, salientou o responsável.
Entretanto, Óscar Paulo fez saber que o hospital se encontra já numa terceira fase do plano ora delineado, que se consubstancia na construção de um novo bloco cirúrgico. Tal como as restantes, tais obras estão a ser realizadas no âmbito dos Projectos de Investimentos Públicos (PIP), que no Uíje estão a ser levados a cabo pelo Gabinete Técnico de Gestão (GTG).
Segundo a fonte, a execução da obra do novo bloco operatório terá a duração de seis meses. A mesma foi adjudicada à empresa de construção civil Conanza. Entretanto, há cerca de dois anos atrás, foram construídos, no espaço onde se encontra localizado o hospital, mais uma maternidade e a nova pediatria, que foram anexas às que já existiam, na altura. Apesar da boa qualidade que essas estruturas apresentam, elas necessitam de ser apetrechadas com meios técnicos modernos. As obras referenciadas estiveram a cargo das empreiteiras Pirâmide e Vitac, respectivamente.
O director do hospital referiu que a antiga maternidade foi devidamente reabilitada pela empreiteira angolana Irmãos Garcia, graças ao apoio do fundo social da ESSO, que também doou alguns equipamentos como marquises para a sala de parto, aparelhos de esterilização e algum mobiliário clínico. Graças às obras em curso, o hospital tem, hoje, uma capacidade de 416 camas, contra as 350 anteriores. .
Instituição hospitalar precisa de mais meios técnicos
O hospital provincial do Uíje é considerado como o baluarte da luta contra o famigerado surto de marburg, que abalou a saúde pública da província há pouco mais de dois anos. Por causa da referida epidemia, alguns dos equipamentos, que até já era antigo, acabaram por ficar fora de uso.
“Nós temos grande necessidade de reequiparmos melhor o nosso hospital, sobretudo ao nível do bloco operatório. Por exemplo, nós, neste momento, ainda operamos à base do bisturi, porque não dispomos de um aparelho da mais alta tecnologia, que nos poderia proporcionar maiores facilidades ao nível dos serviços operatórios. Não temos aparelhos de anestesia e precisamos também de melhorar um pouco mais as áreas de diagnósticos”, revelou.
O laboratório de análises clínicas melhorou, graças às acções de origem central. O mesmo responde às necessidades de hematologia, particologia e bioquímica.
De acordo com o director do hospital, a falta de laboratórios noutras unidades sanitárias da província faz com que a população se dirija, em massa, ao hospital, causando grandes congestionamentos de pessoas naquela unidade hospitalar.
Alguns aparelhos antigos de raio X foram recuperados, mas o hospital precisa de aparelhos modernos e de maior capacidade tecnológica, para poder servir melhor a população.
Falta de especialistas
preocupa direcção
Um técnico de ecografia e um médico da especialidade trabalham no hospital, mas o dr. Óscar Paulo, director-geral do hospital, acha que o número deve ser acrescido, tendo em conta a demanda de necessitados destes serviços. O hospital possui um aparelho de ecografia em bom estado técnico.
Dos técnicos em serviço, o sector de estomatologia é dos que melhor se encontra servido, se tivermos em conta a disponibilidade humana qualitativa e quantitativa de técnicos superiores, entre angolanos e estrangeiros, para além de outros de formação média e básica. Sobre este sector, Óscar Paulo acredita na qualidade do trabalho demonstrado pelos técnicos em serviço nesta área. Na sua opinião, eles demonstram grande capacidade de resposta, pelos numerosos e complexos tratamentos que são capazes de fazer. A fonte acredita que a qualidade dos serviços de estomatologia, prestados naquele hospital, pode superar os que se fazem em muitas unidades do sistema público. “Estamos bem servidos ao nível da estomatologia, mas precisamos melhorar em materiais gastáveis, também por causa da demanda. Devido à exiguidade das verbas, no princípio de cada mês nós podemos estar bem servidos com estes meios, mas no final acabamos por ficar sem material para atender os pacientes”, frisou.
Para este sector foram adquiridos alguns meios básicos que permitem aos técnicos fazerem a abordagem da cavidade oral. Mas, segundo a fonte, é necessário que haja um equipamento moderno, “que nos permita tirar o raio X ao nível da estomatologia e ao nível da cirurgia”.
Quanto aos medicamentos, estes não constituem grande preocupação para a gestão hospitalar coordenada por Óscar Paulo. Mas, no passado houve uma grande rotura em relação àqueles meios.
“Por exemplo, era comum ter um paciente que precisava de ser transfundido, e nós não fazíamos a transfusão porque não tínhamos os testes, não tínhamos sacos de transfusão ou ainda os sistemas.Era, portanto, bastante vergonhoso, terem de ser os pacientes a comprarem esses meios para depois fazermos o tratamento do paciente. Isso para não falar daquelas situações em que o paciente ia para o bloco operatório e não havia anestesia. Os familiares destes tinham que comprá-la, não sei onde, para fazermos a cirurgia”, lembrou.
Houve situações em que não havia seringas para dar uma injecção ao doente, por exemplo, mas hoje “nós estamos a melhorar, porque esta situação foi, efectivamente, resolvida.
Quanto aos meios necessários de atendimento de urgência, para salvar a vida do doente, o hospital consegue tê-los atempadamente, para permitir o atendimento ao nível de todos os bancos, do bloco operatório e das salas de parto, fundamentalmente”.
Óscar Paulo sublinha, ainda, que já é possível assistir aos diabéticos e aos doentes de tuberculose, sem grandes constrangimentos, quer relativamente à testagem, quer em relação à medicação que lhes deve ser aplicada.
Médico defende expansão sanitária à periferia
Apesar das obras em curso aumentarem a capacidade de atendimento do hospital, o responsável daquela unidade hospitalar mostra-se ainda insatisfeito com esta evolução, se tivermos em conta a grandeza da província, que possui 16 municípios e 31 comunas, onde habitam cerca de 2 milhões de pessoas.
Em função disso, Óscar Paulo é de opinião que o melhoramento substancial dos serviços prestados pelo hospital provincial do Uíje dependerá, significativamente, do aumento do número de unidades sanitárias devidamente equipadas com meios técnicos, humanos e de transportes, nas diversas localidades que compõem a província.
“As populações locais dependem, totalmente, dos serviços do hospital provincial. Neste contexto, somos obrigados a agregar vários casos de atendimento primário ou secundário, que, entretanto, podem provocar o mau atendimento e a má prestação dos serviços do nosso hospital”.
A fonte reconhece que a atracção de mais médicos para o hospital provincial do Uíje dependerá da melhoria das condições de habitabilidade e de trabalho que lhes possam ser oferecidos.
Sobre o número de médicos, avançou que o hospital possui seis especialistas angolanos e 19 estrangeiros, que cobrem as especialidades de cirurgia, pediatria, ortopedia e ginecologia e obstetrícia. Cerca de 362 enfermeiros funcionam no referido hospital, de acordo com o dr. Óscar Paulo.
“Estamos a fazer alguns esforços no sentido de organizar a formação em serviço, sobretudo, para apurarmos melhor e tecnicamente aqueles profissionais que já trabalham há bastante tempo neste hospital. Nesta altura, estamos perante a abertura de um concurso público e parece-me que vai ser possível albergarmos mais técnicos no hospital, entre médicos e enfermeiros”.
Atendendo à grande procura dos serviços hospitalares por parte dos doentes, a fonte do Jornal de Angola fez saber que será necessário pôr em funcionamento os serviços de cardiologia, “porque os casos já vão sendo cada vez mais diferenciados e complexos, exigindo a presença de um médico especializado na matéria”.
“Os constantes acidentes de viação que ocorrem, com grande frequência, na província, obriga-nos a melhorar os serviços de ortopedia, e isso passa pelo aumento do número de médicos ortopedistas, porque apenas um especialista estrangeiro atende os casos do género”, sublinhou, para acrescentar que haverá ainda necessidade de novos serviços, tais como os de traumatologia e fisioterapia, por exemplo.
JA - josé bule | Uíje
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