|
Jovens angolanos que se preparam para votar pela primeira vez acreditam que as eleições legislativas de 2008 serão totalmente diferentes das de 1992, quer pelo amadurecimento político dos partidos como pelo grau de esclarecimento e exigência do eleitorado.
Estamos à busca do melhor programa de Governo apesar de ainda não se conhecer muito das ofertas dos outros partidos, pois o espaço de manobra e divulgação é de difícil acesso e dominado pelo poder. Os jovens reconhecem ser ainda de domínio total do partido no poder a praça eleitoral angolana, mas acreditam que pelo nível de desenvolvimento do país, pela forma desigual como se distribui a riqueza e como é feita a ascensão política e social, o voto funcionará como medida sancionatória e de mudança. Deodato António, de 28 anos, diz que o facto de não se conhecer até hoje os programas de Governo dos partidos denota um défice político grave se atendermos o nivel de exigência do actual eleitorado. «Não se conhece um programa político com causa e fundamentos propriamente sérios em que podemos olhar como um interesse sobretudo da elite política em levar esta eleição como um projecto de desenvolvimento para Angola. Há um conceito de desenvolvimento vazado, pelo ar, mas este conceito de desenvolvimento deve se reflectir em programas que reproduzam os anseios, interesses de melhoria de qualquer sociedade. A sociedade angolana precisa de muito mais, precisa de ver problemas como a educação, saúde, o desafio da universidade em Angola, o problema do emprego. Muitos discursos falam a bom termo de emprego mas é preciso, creio eu, atacar, por exemplo, que ferramentas a utilizar do ponto de vista prático e de contexto para a melhoria do sistema de saúde.» Deodato António diz-se anti maioria absoluta, mas acredita que haverá maioria relativa nas eleições de 2008. Já Francisco Martins 25 anos defende espaço nos mídias para todos os partidos, de formas que a população conheça as suas propostas, apesar do tempo já ser exíguo. «As eleições deste ano serão completamente dominadas ainda pelo partido no poder, que é o MPLA, porque os outros partidos ainda não apresentaram nada e a massa juvenil ainda não viu nada, por isso honestamente será dominada pelo MPLA. Os outros partidos não têm o espaço necessário para fazer alguma coisa nessa altura, só o MPLA é que se está a expandir e a promover a sua campanha. Os outros partidos não terão tempo de se impôr ainda que apresentem, não terão o tempo necessário para esclarecer uma candidatura em condições. Vimos que as eleições serão daqui a dois meses se tanto, então qual o horizonte temporal? Eles deveriam ter seis meses a trabalhar nisso e nós estamos a conhecer partidos agora a dois meses das eleições, eles têm poucas hipóteses, está tudo muito em cima do joelho.» Para Cláudio Magalhães, a facilidade como se abrem as portas para o partido no poder deveria ser extensiva a todos os partidos concorrentes. «Eu acho que não há transparência nesta campanha toda, porque normalmente só ouvimos MPLA, MPLA, MPLA e dos outros partidos não ouvimos dizer nada, por isso eu acho que deveria haver mais equilíbrio de divulgação para podermos votar melhor e no partido que sabemos que nos vai oferecer um futuro com mais tranquilidade.» As segundas eleições legislativas angolanas marcadas para 5 de Setembro próximo e cuja campanha eleitoral inicia a 4 de Agosto vai aquecer e a contar com o eleitorado jovem que nesta edição é a maioria. Muita agua ainda vai correr por debaixo da ponte, até lá. Multipress
|
vamos dar a oportunidade á UNITA de mostrar o que vale![