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O ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, afirmou hoje à Lusa que o Acordo Ortográfico "é benéfico para todos os usuários da Língua Portuguesa" e para a sua afirmação como "uma língua mundial de cultura".
"Devíamos adoptar o acordo, sim", disse o ministro, que se encontra em Portugal para dois concertos nos coliseus de Lisboa e Porto, nos próximos dias 17 e 19, respectivamente.
Segundo o ministro, adoptar o Acordo "é manter o interesse vivo na língua".
Relativamente às críticas, Gilberto Gil afirmou que isso "é já a prática do Acordo" e se elas se ouvem em Portugal, também existem no seu país: "Caetano Veloso foi o primeiro a reagir, designadamente quanto ao uso do trema", disse.
O ministro brasileiro da Cultura considerou essencial estabelecer uma "ortografia comum", já que a "a língua falada é etérea, fluente e todos nos entendemos".
A Internet - apontou - é um dos sectores em que tem de haver unanimidade na escrita da língua: "A linguagem dos correios electrónicos, dos blogs, etc., tudo isso que está surgindo agora e que nos temos de entender", enfatizou.
Das reuniões que já teve com o seu homólogo português, Gilberto Gil afirmou que trataram fundamentalmente das trocas de artistas e do seu agenciamento, bem como de residências artísticas.
O ministro disse também que o Brasil, que foi um dos países que primeiro ratificou a Convenção da UNESCO relativamente à Diversidade Cultural, irá "pressionar o mais diplomaticamente possível os outros países lusófonos para a ratificarem também e conta com o apoio de Portugal nesse sentido".
Lisboa e Brasília são as duas únicas capitais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que já ratificaram a convenção.
No âmbito da CPLP, Gilberto Gil reconheceu que "é necessário agilizar processos na área das trocas comerciais de bens culturais", mas chamou à atenção para a responsabilidade dos privados.
"Há que haver interesse de agenciamentos de artistas e não só, por parte dos privados", disse.
Segundo o responsável, esta questão "não pode ser só suprimida por políticas públicas, tem haver o interesse e empenhamento dos privados".
O cantor e compositor, que é desde há cinco anos ministro da Cultura, afirmou que dedica mais de 80% á governação "sobrando pouco mais para música", mas disse que gerir as duas facetas traz "complexidades estimulantes".
NL.
Lusa/Fim
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