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Naturalizado e residente em Luanda, nasci em Menongue provincia do Kuando-Kubango, sul de Angola. Desde muito cedo me habituei a ouvir vozes silenciosas no meu interior. Desde muito cedo compreendi que tinha de colocar estas vozes no papel!
Licenciado em Geofísica pela Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto, no ano de 1998.Cumpriu o serviço militar obrigatório entre 1986 e 1992, tendo atingido o grau militar de capitão. Foi professor Pré-Universitário e do ensino de base, tendo leccionado as disciplinas de Física e Matemática. Actualmente trabalha na Industria Petrolífera. Obra Publicadas: A Fúria do Mar (Poesia, 2004) Aguarda publicação: Os Meus Pés Descalços (Poesia)
A ZUNGUEIRA
O miúdo nas costas, faminto O sol queimando O sol assando O miúdo nas costas, faminto de alimento As moscas acariciando-o E o lixo distraindo-o!
A zungueira zunga, cansada Na cabeça, o negócio e o sustento E nos pés empoeirados O cansaço dos quilómetros galgados O cansaço da distância percorrida A zungueira zunga, o miúdo nas costas faminto!
A zungueira zunga, cansada E vai gritando e berrando a plenos pulmões: Arreou, arreou, arreou nos limões... A zungueira zunga, empoeirada E arreia o negócio, arreia o preço e faz desconto Arreia o preço do sustento
O miúdo nas costas faminto A lombriga na barriga rói, a lombriga pede O miúdo nas costas, faminto de alimento Chora e berra Não é birra É a fome que aperta, é a fome da sede!
A zungueira zunga, apressada E arreia o negócio, arreia o preço: Arreou, arreou, arreou no chouriço... A zungueira zunga empoeirada E arreia o preço do negócio Arreia o preço da mercadoria, coisas do ofício
Depois, a viatura da fiscalização Os travões chiam, as marcas dos pneus no asfalto E os homens arrogantes a perseguirem E a baterem E a zungueira a fugir, e o negócio e o sustento Caídos, espalhados no chão!
Depois vem o fiscal, também faminto,“Você tem autorização? Acompanha, isso é transgressão!” A zungueira implora e mostra a fome: Tem dois dias o miúdo não come A lombriga na barriga precisa alimento!
O fiscal, também faminto Arreia o lucro da zungueira cansada E desesperada Arreia o lucro, senão a zungueira vai presa Senão a zungueira não volta a casa E a zungueira cede, com medo no pensamento
Depois a zungueira chega a casa De bolsos vazios, mas alívio no coração E grata, afinal não foi presa Afinal não foi à prisão A zungueira chega a casa, o miúdo faminto O miúdo sedento de alimento
Mas amanhã, a zungueira voltará a berrar Amanhã a zungueira voltará a arrear:
Arreou, arreou, arreou em qualquer coisa…
Mulheres da minha terra São todas belas Elas As mulheres Que meus quereres Se confundem E perdem Vejo Rosa Formosa E me encanta Que canta Meu coração De emoção Vejo Margarida Querida Alta E esbelta E é ela A minha estrela Vejo Teresa Beleza Baixinha E cheinha E por ela suspiro E passo noites em claro Vejo Bela Gazela Ternura E candura E logo meu coração É todo paixão Vejo Maria Feia Mas bela Ela No interior E é meu grande amor São todas belas Elas E muitas, Pretas, albinas, brancas, mulatas... Mas todas bonitas Todas catitas E belas!
Pensar e Falar Angola
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