Reflexão e harmonia, são dois dos traços comuns que os pintores angolano Álvaro Macieira e o alemão Horst Poppe propõe ao público amante e apreciador das artes plásticas na sua mais recente amostra de pintura, denominada “Mambo metu” – que em português significa “Nossos assuntos” –, cujo acto de abertura está previsto para segunda-feira, às 18h30, na sala de exposições do Instituto Camões – Centro Cultural Português.
A amostra, que será composta também por uma instalação, trará à análise do público 18 quadros, dentre os quais duas telas inéditas intituladas “Paz”, pintadas pelos artistas na cidade de Langen, no Norte da Alemanha, no dia 4 de Abril de 2002, data em que se rubricou o Acordo de Paz em Angola. Integrantes do “Grupo conexão cultural”, os dois artistas pretendem mostrar aos presentes, o resultado de uma pesquisa de seis anos, acerca da cultura Lunda Chokwé e de outras regiões do país, num realismo/abstracto, sobre a importância dos simbolismos na preservação dos valores tradicionais de uma nação. A amostra “Mambo metu”, que é igualmente o título de um político de quatro telas formando um painel montado à entrada da exposição, é o resultado de uma pesquisa realizada nas regiões fronteiriças entre as províncias do Uíge – onde predomina o Kikongo – e de Malanje – com predominância do Kimbundu.
Usando as mesmas cores e telas análogas, os artistas, cuja exposição estará patente até o próximo dia 30 de Junho do corrente ano, adiantaram que fizeram ainda uma pesquisa minuciosa há alguns monumentos e sítios nacionais, de forma a extrair alguns dos conceitos artísticos patentes nestes locais e transmiti-los, por meio da exposição, aos jovens.
“A ideia da conexão entre mim e o Horst surge para mostrarmos que o casamento cultural entre raízes artísticas de países distantes é possível e pode ser harmoniosa. Assim, podemos encontrar nesta exposição uma Europa - Alemanha no caso - que se identifica com a cultura angolana, mas numa visão diferente e uma Angola diversificada com um misto de simbolismo e sonhos”, explica Álvaro Macieira.
Pintadas entre 2002 e 2008, os quadros fazem ainda alusão para aspectos como a liberdade, aos ideogramas e a simbologia africana. “Não se pode retratar a África sem as máscaras ou a simbologia da sua cultura”, advoga o pintor Álvaro Macieira, avançando que “uma africanista disse uma vez que sempre que alguém visita este continente regressa obrigatoriamente com uma lembrança inesquecível, seja ela positiva ou negativa”.
Por sua vez, o africanista alemão Horst Poppe, que já expôs várias vezes com o pintor angolano em cidades como Luanda, Berlim, Bremen, Bona, Cuxhaven e Nordenham, acredita que Angola reúne hoje melhores condições para incrementar as trocas culturais e mostrar o potencial dos seus artistas. “Angola é um país que tem artistas muito empenhados em mostrar o seu melhor e que em pouco tempo poderão estabelecer um diálogo cultural fecundo, de igual para igual, com o resto do mundo e com muita dignidade”, frisou.
Para o adido cultural da embaixada de Portugal em Angola, João Pignatelli, a amostra é uma iniciativa salutar, por mostrar, particularmente, que é possível promover as artes africanas e as europeias de uma tal forma que seja difícil descobrir serem duas culturas distintas.
JA ADRIANO DE MELO
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