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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Romance de Luís Fernando "A Saúde do Morto", pode ombrear clássicos africanos, António Fonseca Imprimir e-mail
Escrito por : Cfr. no fim da pág   
18-Abr-2008

O director do Instituto Nacional do Livro e do Disco (Inald), António Fonseca, considerou nesta sexta-feira à noite, em Luanda, que o romance "A Saúde do Morto", do jornalista angolano Luís Fernando, tem qualidade temática e linguística para ombrear com clássicos da literatura oral africana.

Ao apresentar o novo formato do produto, publicado pela primeira vez em 2002, o também escritor classificou a obra como "um extraordinário exercício de recreação da oralidade na escrita", com a qual se buscam novos e profundos ângulos de abordagem.

"A Saúde do Morto, em que o tempo é definido pela própria história, tem que ser encarado como um extraordinário exercício de recreação da oralidade na escrita, no qual o autor procura novos ângulos de abordagem, centrando-se, particularmente, em dar conta da sobrevivência da tradição, num contexto de modernidade ou modernização".

Para António Fonseca argumentou que, com o livro, o autor procurou e conseguiu prolongar para a literatura escrita "muito" do discurso da escrita oral tradicional.

Luís Fernando, explica o apresentador, socorreu-se de uma língua enquanto fusão de estruturas linguísticas de duas ou várias línguas, assim como do heterolinguismo e ao desenvolvimento de neologismos para dar corpo ao romance.

"Esse é um romance em que a cultura oral não desaparece. Produz uma síntese em que as características da cultura oral são absorvidas, assimiladas e reorganizadas numa nova experiência cultural. Isso só foi possível porque o autor tem um conhecimento profundo da sua cultura, da versão narrativa e das formas retóricas orais", considerou.

Para o escritor, Luís Fernando repõe o hábito da oralidade na literatura, através da introdução de histórias, mitos lendas, fábulas, anedotas, canções, provérbios e níveis da narrativa no desenvolvimento de enredos e temas.

"Por isso, o impulso oralizado de hoje no romance africano, tal como a Saúde do Morto, é especialmente forte, uma vez que os escritores, como no caso, são uma resultante da tradição oral e da educação literária. Nessa perspectiva, podemos dizer que se trata de um romance capaz de ombrear com outras obras de autores africanos".

Por sua vez, o autor do livro, editado pela Editorial Nzila e comercializado a mil e 500 kwanzas, agradeceu o apresentador pela apresentação crítica de A Saúde do Morto, um trabalho cujo personagem principal afirma ter existido na província do Uíge.

A Saúde do Morto é o romance de estreia de Luís Fernando, nascido em 1961, na província do Uíge. Licenciado em Jornalismo, pela Universidade de Havana, Cuba, é autor de seis livros, com destaque para "90 Palavras", "A Saúde do Morto", "João Kyomba em Nova York" e "Clandestinos no Paraíso".

F: Agencia Angolapress

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