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A reconstrução do país é um processo amplo que precisa também prestar atenção à preservação e promoção, segundo o historiador Simão Souindoula, das similitudes linguísticas e antropológicas dos principais grupos que povoam o seu território, de forma a poder salvaguardar-se adequadamente os valores da sua cultura. De acordo com o historiador, depois da evolução pós-independência trintenária, é , historicamente, justo de interrogar-se, mais uma vez, sobre a substância que constitui a identidade cultural nacional do país e sua firmação dentro da actual sociedade contemporânea.
A urgência desta preservação surge, particularmente, segundo Simão Souindoula, pelo facto do actual território de Angola ser povoado, maioritariamente, de populações falando línguas, que são classificadas como bantu. “Esta riqueza cultural do vasto mosaico angolano é um factor decisivo para uma reconstrução absoluta de Angola”, explica.
Porém, para tal, segundo o historiador, o desenvolvimento das línguas nacionais em Angola é um elemento chave por ajudar a realçar, em todas as circunstâncias, esta realidade, que deve constituir um sólido argumento para uma coexistência pacífica dos diferentes componentes da nação angolana hoje na via da consolidação da unidade nacional, condição essencial para prosseguir os actuais progressos económicos e sociais.
“Essas semelhanças não surgiram, por acaso ou por coincidência, mas sim, resultaram duma história comum feita de contactos multiformes, de influências recíprocas e, sobretudo de fusões”, disse.
Com efeito, para Simão Souindoula, a similitude dos elementos linguísticos constituem uma das bases sólidas da homogeneidade cultural em Angola e, incontestavelmente, o quadro reconstruído do proto-bantu. “A cobertura linguística das principais expressões civilizacionais angolanas tem, invariável e maioritariamente, como base, este fundamento pré-dialectal”, realçou.
Desta forma, o historiador avançou que os grupos bantu que constituem a maioria da composição humana de Angola se encontram no mesmo nível de desenvolvimento histórico, e apesar das particularidades decorrentes da diferença da própria evolução, perpetuam os mesmos conceitos na expressão das suas tradições. “É esta a ideia que precisa ser fomentada e levada além-fronteiras, para que sejamos conhecidos enquanto um povo único, crente nos valores culturais”.
“Uma análise cruzada do conjunto dos dados arqueológicos, linguísticos e antropológicos postos em evidência , nesses últimos anos, atesta que, pouco antes da nossa era, algumas regiões do actual território de Angola eram já povoadas de comunidades, na sua maioria, locutores de línguas bantu. Essas populações engajaram até o século XIX , um longo processo de sedentarização e de ocupação de territórios que dará ao país a sua configuração etno-linguística actual”, aclarou. JA - ADRIANO DE MELO
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