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Pequim - Estudantes, estagiários e trabalhadores estrangeiros, que vivem há meses ou anos na China, estão a abandonar o país devido às apertadas exigências para a emissão de vistos durante o período dos Jogos Olímpicos. A pouco mais de um mês do início da festa olímpica é mais difícil um cidadão estrangeiro conseguir um visto para permanecer na China do que conseguir um bilhete para assistir aos Jogos.
As alterações à política de emissão de vistos no país têm como objectivo garantir a segurança durante os Jogos e estão de acordo com os critérios internacionais, assegurou o governo chinês.
"Depois de estudar as políticas de vistos durante outras edições dos JO, descobrimos que os países anfitriões adoptaram políticas de emissão de vistos mais restritas", afirmou Wei Wei, director do departamento consular do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, citado hoje pela imprensa estatal chinesa.
Portugueses, espanhois, australianos, dinamarqueses que vivem actualmente na China têm o mesmo problema, o visto prestes a expirar, a falta de solução para renovar o documento obrigatório no país e umas férias forçadas da China.
"Vão ser uns Jogos Olímpicos para os chineses", reparou uma advogada italiana em entrevista à imprensa local, acrescentando considerar que "eles não se importam de não ter estrangeiros no país durante os JO".
A jovem de 26 anos de idade, que pediu o anonimato, trabalha há mais de um ano na China e possui um contrato de trabalho com uma empresa sino-italiana mas não conseguiu uma renovação do seu visto "F", de negócios.
"Disseram-me que não podiam renovar o meu visto além de 30 de Junho e que a única solução que tenho é sair do país", queixou-se, explicando que como não tem "garantia de conseguir sequer um visto em Hong Kong ou noutro país", tem de "regressar a Itália".
Os novos procedimentos para a obtenção de visto mudaram pela primeira vez em Abril, quando a China deixou de emitir vistos de negócios, impossibilitando a permanência no país de muitos empresários estrangeiros.
Actualmente, a menos que um estrangeiro possua um visto "Z" de trabalho, todos os outros vistos como "L", de turista, "F" de negócios ou "X" de estudante renovados a partir de hoje, só terão a duração de um mês e a única solução para mudar a categoria do visto é sair do país.
Nas últimas semanas, os casos de expatriados a abandonar a China são as histórias mais populares nos blogs, nas publicações em inglês e nas conversas nos locais frequentados por quem não é chinês em Pequim.
"É inacreditável como é que a China pode fechar as portas ao resto do mundo no mês dos Jogos", disse um cidadão francês prestes a abandonar o trabalho que tem neste país.
Há meses atrás, quando o gabinete de Pequim apresentava entraves à renovação de um visto, era prática corrente ir a Hong Kong, a Macau ou pagar mais caro pelos serviços de agentes que tratavam da emissão de vistos nos gabinetes fora da capital.
Algumas instituições de ensino negaram que assim fosse, mas na Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim, onde estudam pelo menos 1000 alunos de outros países, as inscrições para os cursos de chinês durante o Verão estão fechadas e não haverão cursos a decorrer durante o mês de Agosto.
Várias companhias aéreas lançaram promoções no preço das viagens de Pequim para a Europa, como por exemplo a Air Berlin, que anuncia nos jornais chineses, "Nós levamos-te de volta à Europa por menos para Berlim a partir de apenas 1880 renminbi".
Hotéis e agências de viagens asseguram que as dificuldades ao visto estão a prejudicar o negócio do turismo e os residentes de Pequim queixam-se do aperto das medidas de segurança na cidade.
O governo não anunciou a data do fim das restrições, apesar de um agente de serviços de emissão de vistos, que pediu para não ser identificado, ter garantido que "depois de Setembro tudo voltará ao normal". Angop
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