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Pressão sobre a China, ou, simplesmente, uma resposta às críticas da classe política francesa, que não ignorou o seu silêncio sobre a crise no Tibete?
A resposta a esta pergunta só surgirá quando Nicolas Sarkozy esclarecer os contornos da ameaça de boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim que ontem deixou no ar. Uma posição que contrasta com a de outros líderes europeus e mundiais, como Durão Barroso e George W. Bush. O presidente norte-americano já fez, aliás, saber que estará presente na China, em Agosto.
De um momento para o outro, o presidente francês trocou o silêncio por uma ameaça que ecoou em todo o Mundo. "Todas as opções estão em aberto", reagiu Sarkozy quando questionado pelos jornalistas sobre as críticas que alguns defensores dos direitos humanos têm feito sobre a posição tardia da França face à crise tibetana e sobre o cenário de um possível boicote ao evento desportivo.
"Quero que o diálogo comece", frisou o governante, admitindo que a sua decisão final será tomada "em função da resposta das autoridades chinesas" à crise no Tibete, onde nas últimas semanas os confrontos entre manifestantes tibetanos e as forças chinesas já originaram várias vítimas mortais - o número varia consoante a fonte (ver peça ao lado).
Ainda sobre o possível boicote, o presidente francês escusou-se a avançar se seria à cerimónia de abertura ou a todo o evento, mas, posteriormente, uma fonte do Palácio do Eliseu precisou que Sarkozy se referia à abertura dos Jogos Olímpicos.
Até ao momento, a França tinha sempre recusado a hipótese de fazer um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, e só na segunda-feira o presidente francês quebrou o silêncio ao apelar à "contenção" das autoridades chinesas e defendido o diálogo com os representantes do líder espiritual tibetano, Dalai Lama.
O silêncio do governante foi alvo de várias críticas por parte da classe política francesa, sendo a hipótese de boicote uma possível reacção a este clima de pressão.
Mas, a posição da França, ainda de carácter indefinido, contrasta com a postura de outros países membros da União Europeia, como é o caso do Reino Unido, Alemanha e Holanda.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já afirmou estar disponível para se encontrar com o líder tibetano Dalai Lama, acusado por Pequim de estar a utilizar os tumultos dos tibetanos budistas para alimentar propósitos separatistas, enquanto a Alemanha congelou as negociações com a China em matéria de de-senvolvimento e a Holanda convocou, na semana passada, o embaixador chinês.
Ontem, em Lisboa, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, discordou da hipótese de boicote aos Jogos Olímpicos e apelou aos 27 para que definam uma "posição conjunta" em relação ao conflito entre a China e o Tibete.
"Não estamos de forma alguma seguros de que qualquer eventual boicote levasse a um maior respeito pela lei na China ou no Tibete. De forma alguma", afirmou.
"É importante que a Europa tenha uma posição conjunta, fazendo ver as nossas preocupações e a necessidade de serem respeitados os direitos humanos na China e no Tibete", concluiu Durão Barroso.
Posição semelhante foi adoptada pela Casa Branca, que já confirmou a presença de Bush no evento. "A nossa posição continua a ser que o propósito dos Jogos Olímpicos é que os atletas internacionais se reúnam e exibam os seus talentos", afirmou a porta-voz Dana Perino.
*JN - Jorge Pinto * - Com agências
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