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O Grupo Gema, através da sua participação em diversos ramos empresariais, pode atingir até finais deste ano um volume de negócios na ordem dos dois mil milhões de dólares, superando o do ano passado em que a facturação alcançou cerca de 1, 8 mil milhões de dólares. Os dados foram avançados pelo presidente do Grupo Gema, José Leitão da Costa e Silva (na foto). Em entrevista ao “Economia & Finanças”, o homem de negócios diz que os indicadores tendem a subir, em 2009, em função da entrada da empresa no sector petrolífero (onde integram o grupo de empreiteiro do Bloco 18/06) e no ramo cimenteiro. Neste último, o Gema está a criar as condições com vista à implantação de uma fábrica de cimento em Angola, cujos passos preliminares para a sua instalação já foram dados.
P-Quais os principais projectos que o grupo está a implementar no país?
R – As actividades do Grupo Gema estão concentradas na gestão de participações financeiras, na promoção, implementação e gestão de projectos, bem como em empreendimentos comerciais, industriais e de serviços.
Os principais projectos estão repartidos por distintos sectores de actividade, nomeadamente, de representação comercial e prestação de serviços. Neste segmento, o grupo representa em Angola a GM (General Motors), no ramo automóvel. Em consequência disso, distribui e assiste viaturas (ligeiras e pesadas) e equipamentos da marca Chevrolet e GM por intermédio da firma Vauco.
Ainda mediante da Vauco, comercializamos e prestamos assistência técnica a geradores de marca Denyo de origem japonesa. A Vauco é também a assistente oficial das marcas de viaturas Peugeot e Honda.
P- Soube também que existe uma forte aposta no sector da construção civil e imobiliário
R- Exactamente. Este sector é estratégico para o desenvolvimento do país, e as oportunidades que se oferecem são inúmeras. Com base nos nossos propósitos de contribuir para a reconstrução e desenvolvimento de Angola, apostamos na criação de duas empresas para o sector, nomeadamente a Edifer Angola e Construções Fortaleza. Uma dedicada aos processos construtivos e outra provedora de materiais e serviços complementares à construção, respectivamente. Ao redor destas firmas estão estabelecidas outras parcerias locais e estrangeiras para especialidades complementares à construção. Por estas empresas, emprestamos a nossa contribuição na construção de grandes edifícios, estradas e outras obras civis de referência. A par disso, por intermédio de outras parcerias, investimos em projectos imobiliários de referência, tais como o “Empreendimento Comandante Gika”, “Torres da Missão”, “Quarteirão de Benguela”, dentre outros.
P- Como está a ser desenvolvida a actividade no ramo pesqueiro, já que foi a primeira aposta da empresa?
R- A actividade piscatória é desenvolvida pelo grupo desde a sua fundação em parceria com grupos especializados na pesca industrial. Exploramos uma frota de navios de pesca de pelágicos que comercializamos no mercado local e internacional, com exportações para a Coreia, Japão e Espanha, e com outra frota específica realizamos a captura de camarão que até então tem sido apenas exportado. Além disso, estamos no sector industrial. Consideramos que este sector é estratégico para qualquer país. Desta feita, desde o início da nossa actividade empresarial, investimos na indústria de refrigerantes. Assim, logramos ser um dos accionistas fundadores da Coca-Cola Bottling Luanda.
P- No que concerne à indústria cervejeira?
R- Também investimos na indústria cervejeira por intermédio da nossa participação na Ucerba, empresa angolana que detém o controlo das fábricas de cerveja do país. As infra-estruturas de Angola têm vindo a ser recuperadas, nomeadamente as barragens hidro-eléctricas, as vias de comunicação, telecomunicações, etc. Com isto, ficam criadas as bases para investimentos mais rentáveis e sustentáveis nos distintos ramos industriais.
Indústrias estratégicas para o desenvolvimento serão necessárias. Com esta visão, decidimos investir numa indústria cimenteira “Palanca Cimento”, cujos passos preliminares para a sua instalação foram dados, através de obtenção de licenças e de concessões para matérias- -primas. Em consequência deste ambiente, perspectivamos investir, nos próximos tempos, na agro-indústria, indústria mineira e em fontes de energia sustentável.
P- Quanto ao sector petrolífero?
R- O Grupo Gema iniciou a sua actividade na indústria petrolífera participando do primeiro concurso promovido pela concessionária nacional, Sonangol, em 2006. Por intermédio da nossa subsidiária Geminas, integramos o grupo empreiteiro do Bloco 18/06, que tem a Petrobrás como operadora e outros parceiros, designadamente a SSI Eighteen, Sonangol P&P e Falcon Oil. Esta participação constitui um marco histórico na entrada do Grupo Gema no segmento, “upstream”, e crucial para a sua estratégia de manter uma presença verticalmente integrada no sector. Perspectivamos outros investimentos no sector petrolífero, os quais estão em preparação, especificamente na refinaria e prestação de serviços.
P- De que forma está a ser realizado o trabalho em offshore?
R- Por intermédio da subsidiária Geminas temos participação no Bloco 18/06, como não operadores, ou seja, apenas investidores. O operador do bloco é a Petrobrás. Existe um programa de trabalho assumido contratualmente ante a concessionária o qual se desenvolve com normalidade. Estamos em fase de exploração. Em consequência disso, os trabalhos mais intensos são os estudos especializados para que haja sucesso na pesquisa e uma produção satisfatória.
P- Qual é neste momento o volume de negócios do grupo nas principais áreas de exploração, sobretudo no sector das pescas?
R - A actividade piscatória é sazonal; em consequência disso, tem períodos áureos e menos bons, e está sujeita aos períodos de veda ou, também chamados, períodos de paragem biológica. Está também condicionado ao processo de reformas no sector. Hoje, não se pode falar em números muitos significativos. Estamos internamente a proceder a algumas reformas de procedimentos e estratégias, a nível de frotas, procedimentos, parcerias e outros aspectos do negócio.
O Grupo Gema é uma holding que controla as suas participações em diversas empresas, e diferentes empreendimentos, cujo volume de negócios varia conforme a especificidade de cada actividade. Uma referência particular, queremos fazer ao sector da construção civil que tem obras em continuidade para dois - três anos, cujo volume de negócios acumulado até 2009 é superior a 1,9 mil milhões de dólares. A nossa expectativa do volume de negócios no final de 2008 estará muito perto dos dois mil milhões de dólares. Nos anos seguintes, os indicadores serão ainda mais ambiciosos, tendo em conta a entrada em funcionamento dos projectos petrolíferos e da cimenteira.
P- Qual foi a facturação do grupo o ano passado?
R- Tendo em conta as parcerias que existem nos diferentes domínios, em 2007, o valor de facturação chegou a atingir cerca de um bilião e oitocentos milhões de dólares. E&F- Em poucos minutos deu para perceber que a busca de novos mercados continua a ser o apanágio do grupo? JL- A maior parte de negócios que o grupo desenvolve, senão todos, fá-lo em parceria com outros grupos empresariais com conferida idoneidade e de prestígio internacional. Para as novas oportunidades de negócios, esperamos manter a estratégia que sempre norteou as nossas relações, e os desígnios dos nossos negócios – parcerias com grupos fortes, sérios e detentores de “know-how”.
P- É verdade que o Grupo Gema está também a preparar a sua expansão para o negócio da logística, procurando actualmente um parceiro português?
R- Um sistema logístico harmonizado é símbolo de desenvolvimento. O país está a realizar um esforço imenso com vista à reabilitação, modernização e à criação de novas infra-estruturas do sistema de transportes, logística, de telecomunicações, de energia, de água, educativas, de formação profissional, de investigação científica aplicada e de saúde.
Os seus resultados serão visíveis a curto, médio e longo prazo. Para já, estas tarefas de reconstrução têm um efeito directo no relançamento da produção interna e, consequentemente, constituem a alavanca para o desenvolvimento do país. O dinamismo do sector privado dá mostras de que a aposta no desenvolvimento é uma determinação geral dos players do mercado.
A interacção com os países das regiões Austral e Central de África, melhor dito, a inserção de Angola no contexto económico destas regiões e do mundo em geral pressupõe uma tendência de rápido crescimento tendo em conta a aspiração de um equilíbrio económico entre os vários países.
Este contexto vai trazer resultados, ou melhor, vai exigir um sistema logístico actuante e forte. Como é óbvio, o nosso grupo está predisposto a contribuir, à sua medida, para o sucesso e a eficiência da logística em Angola.
P- No sector automóvel, qual tem sido, em média, o volume de vendas?
R- O volume de vendas de viaturas varia em função dos tipos e utilidade de cada uma delas. A média varia entre as 800 e 1.000 viaturas por ano, com predominância para as viaturas comerciais.
P- Neste momento, quantos postos de trabalho a empresa criou?
R- O núcleo de quadros que se está na holding do grupo é de cerca de 20 pessoas. Porém, o universo de trabalhadores adstritos aos distintos projectos é imenso e muito mais serão empregues.
Um número considerado de quadros dos projectos foi encaminhado pelo Grupo Gema, tendo passado ou não pela holding.
P- Quais são as perspectivas do grupo a curto, médio e longo prazo?
R- A nossa meta é a consolidação dos negócios em curso; abraçar novas oportunidades de investimentos e estabelecer novas parcerias, rumo ao desenvolvimento e também a internacionalização dos negócios do Grupo.
Fonte:Economia & Finanças
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