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As exportações para o mercado angolano contribuem com 16% para o crescimento da riqueza produzida em Portugal, tornando-se assim no segundo maior, apenas superado pela Espanha.
As exportações para o mercado angolano já contribuem com 16 por cento para o crescimento da riqueza produzida em Portugal (PIB), tornando-se assim no segundo maior, apenas superado pela Espanha. Segundo Luís Mira Amaral, antigo ministro do Trabalho e da Segurança Social e, posteriormente, ministro da Indústria e da Energia de Portugal, agora presidente do BancoBIC Português, Angola ultrapassou a França, que é responsável por 14,9 por cento, e só perde com a Espanha, que representa 31 por cento. Falando na apresentação do BancoBIC Português (instituição que arrancou actividade ontem com a mesma estrutura accionaria do BancoBIC em Angola), Mira Amaral disse que Angola está a se tornar cada vez mais num importante mercado para Portugal.
No ano passado, foi o sexto destino das exportações portuguesas (o segundo fora da Europa) e este ano, segundo Mira Amaral, citando previsões do Instituto Nacional de Estatística de Portugal, deverá ultrapassar os Estados Unidos da América.
Esta visão torna-se mais lógica quando se avaliam as dificuldades enfrentadas pela primeira economia do mundo, que se abeira da recessão. O consumo (representa 70 por cento do PIB) está em vias de estagnação, a moeda deprecia-se quase todos os dias e o país vive pressões inflacionistas devido à alta dos preços do petróleo e dos bens agrícolas.
Para Portugal, Angola está a ser o principal motor da diversificação das exportações portuguesas para mercados fora da Europa. Este movimento é considerado “altamente positivo” pelos analistas económicos, na medida em que, segundo estes, torna a economia portuguesa mais resistente e menos dependente do arrefecimento económico vivido pelos países da União Europeia.
Em Angola, estão instaladas mais de 200 empresas portuguesas ou com projectos de investimento. Estão maioritariamente nos sectores financeiro, construção civil, materiais de construção, imobiliária, cimento, hotelaria e turismo, indústria transformadora e agro-alimentar (designadamente bebidas), água e saneamento básico. Investimentos portugueses podem também ser encontrados nas telecomunicações, logística, ensino e saúde, entre outros.
O sector dos biocombustíveis e os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) dos mercados de carbono são também oportunidades a não descurar. Além disso, hoje também já existem empresas angolanas a investir em Portugal. A Sonangol é o grande destaque. Além da participação de quase 10 por cento no BCP (um dos maiores bancos portugueses) e na petrolífera Galp (através de uma parceria com a Amorim Energia), para falar apenas das participações efectivadas.
O Diário Económico, na sua edição de ontem, revela o interesse da Sonangol na papelaria portuguesa Portucel, para desenvolver em Angola o sector de floresta, pasta e papel. Outros interesses da petrolífera angolana recaem para a Zon, que opera no ramo das telecomunicações e que ajudaria a desenvolver o sector de televisão, e na EDP, a maior empresa portuguesa do sector eléctrico. No primeiro trimestre, a empresa obteve lucros na ordem dos 263 milhões de euros.
Jornal de Angola Cândido Bessa|Lisboa
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