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Depois de 15 horas de reunião, a administração da companhia aérea Alitalia aceitou as condições duras de compra ditadas pela Air France- -KLM. A oferta do grupo franco-holandês, ainda sujeita à aprovação dos sindicatos e do futuro Governo italiano, prevê a troca de uma acção da Air France/KLM por cada 160 da Alitalia, o que valoriza a companhia italiana em apenas 138 milhões de euros, cinco vezes menos que a sua cotação na Bolsa.
"Alitalia vendida a preço de saldo", escreve o Il Giornale, ligado à família de Silvio Berlusconi, "Um 'sim' doloroso", diz o diário económico Il Sole 24-Ore. Mas, apesar de a oferta ser considerada extremamente baixa [corresponde às receitas de apenas dois dias do grupo franco-holandês], a verdade é que a alternativa para a administração da companhia italiana era a falência - a Alitalia regista prejuízos há cinco anos consecutivos e acumula já um endividamento de 1265 milhões de euros. Em 2007, o Governo italiano, que controla 49,9% do capital, tentou, sem sucesso, vender a empresa em leilão.
Os planos de compra propostos pela Air France/KLM incluem a supressão de 1600 postos de trabalho (a Alitalia tem uma força laboral de 11 mil pessoas) e a abertura de uma linha de crédito que permita a sobrevivência da Alitalia, até que seja possível uma prevista injecção de capital no valor de mil milhões de euros. Entre as condições impostas está igualmente o compromisso de que a Alitalia manterá os seus direitos de tráfego (slots) no aeroporto de Roma e a renúncia, por parte da SEA, a sociedade pública que gere o aeroporto de Malpensa, ao pedido de indemnização de 1,25 mil milhões de euros pelo facto de a companhia italiana ter reduzido a metade os seus slots.
Mais delicada é a pretendida redução progressiva, até 2010, das actividades de manutenção e handling, hoje nas mãos da Alitalia Servizi. A empresa tem mais de oito mil trabalhadores e os sindicatos temem que o número de dispensados possa engrossar muito mais.
"É uma situação inacreditável. O Governo foi de mãos vazias paras negociações, prejudicando os trabalhadores e os interesses gerais do país", acusa a central sindical Cisl. "Os sindicatos não foram informados de nada e estão agora a ser encostados à parede."
Identidade nacional
Para suavizar os obstáculos a serem removidos antes do fecho do negócio, que deve ser concluído "até o fim do primeiro semestre de 2008", a Air France-KLM promete que "a implementação do plano permitirá à Alitalia regressar aos lucros operacionais já em 2009 e chegar rapidamente a padrões das melhores companhias aéreas europeias".
Os franceses garantem ainda que a Alitalia manterá sua identidade nacional, com marcas, logo e um mercado próprio. Um tema que ganha importância acrescida no contexto de eleições gerais em Itália, que se realizam a 13 e 14 de Abril.
É que um dos que defendem uma "solução italiana" para a crise da Alitalia, é o actual líder da oposição, Silvio Berlusconi, que foi e pode voltar a ser primeiro-ministro do país.|
F: VÍTOR MARTINS, com agências
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