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Electrodomésticos inundam artérias de Luanda; concorrência entre o mercado formal e o informal |
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Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.
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15-Out-2008 |
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A corrida para a venda de materiais domésticos intensifica no mercado informal numa clara concorrência com o formal. Os vendedores ambulantes instalam as suas mercadorias defronte aos estabelecimentos oficiais, vendendo-os a preços mais atractivos, o que leva os clientes menos avisados a evitarem o mercado oficial. Um liquidificador vendido a quatro mil e 800 kwanzas na Sistec, por exemplo, o ambulante vende-o a dois mil kwanzas, quase à porta do estabelecimento. Um ferro de engomar, que custa três mil e 600 kwanzas na loja, o ambulante “despacha-o” a mil e 500 kwanzas.
Eles (os ambulantes) adquirem a mercadoria (ferros de engomar, máquinas de barbear, liquidificadores, tostadeiras e relógios de origem tailandesa, nigeriana e de outros países) nos armazéns grossistas do Hoji-ya-Henda, Congolenses e no Roque Santeiro.
Logo às primeiras horas da manhã, os negociantes dirigem-se ao local para adquirir a mercadoria e começar a corrida pelas artérias da cidade. A mão direita de Jeremias Chitumba fica totalmente repleta de material eléctrico quando caminha pelas ruas da capital. De apenas 19 anos de idade, acorda muito cedo para ganhar 10 mil kwanzas por dia, nos arredores do Largo da Mutamba. Ainda assim, o jovem considera o lucro irrisório para o sustento.
Natural de Benguela, Jeremias está em Luanda desde Agosto último a convite de um amigo. À segunda-feira, o comerciante dirige-se ao mercado do Roque Santeiro, com 20 mil kwanzas para comprar a mercadoria.
O pequeno comerciante compra aspirador de carro e máquinas de barbear a 900 kwanzas e a mil e 300 kwanzas, respectivamente, para vendê-los a dois mil e 800 e a dois mil e 300 kwanzas.
À semelhança de Jeremias Chitumba, muitos jovens sobrevivem da venda de produtos de electrodomésticos, espalhados pelos mercados informais, portas dos supermercados e no eixo das vias e por toda a periferia de Luanda.
Afonso Paulo procura vender os bens aos automobilistas, no eixo das vias, que separam as faixas de rodagem, no Largo da Independência.
O vendedor ambulante alega ser mais rentável ficar no eixo da via, porque possibilita despachar rápido a mercadoria. “Muitos cidadãos optam por comprar na rua, por falta de tempo. Por isso, aproveito fazê-lo quando estão na via rodoviária”.
Residente no bairro Rocha Pinto, Afonso comercializa os relógios de parede, ferros de engomar e batedeira que os adquire no Mercado do São Paulo. Com os rendimentos decorrentes das vendas, o jovem sustenta um agregado de cinco pessoas. Não sendo fácil, o ambulante começa a corrida à porta de casa (onde ficam espelhados vários artigos) e termina nas imediações da Martal da Maianga. À porta do supermercado, o comerciante alcança valores consideráveis. Na Maianga, já conquistou a confiança de um número significativo de clientes.
Já Macaia Jamba percorre os arredores do São Paulo, onde são originárias as pequenas máquinas de consumo doméstico.
O serviço de caminhar pelas ruas satisfaz as necessidades do jovem de 22 anos, que efectua o serviço porta-a- porta ao som de um aparelho repetitivo, anunciando os preços dos electrodomésticos. É o pregão moderno que, aos poucos, vai substituindo o tradicional “Laranja, minha senhora!”.
FNT/JA
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