Angola quer aumentar entre 2009 e 2013, em cerca de quatro milhões de hectares, as áreas de cultivo para produzir, durante esse período, mais de 15 milhões de toneladas de cereais, revelou, em Roma, o ministro das Relações Exteriores, João Miranda.
O diplomata angolano, que representa o Presidente José Eduardo dos Santos, fez este prognóstico quando discursava no primeiro dia de trabalhos da conferência de alto nível sobre “Segurança alimentar mundial”, que decorre de 03 a 05 de Junho, em Roma (Itália).
João Miranda disse que entre 2009/2013 a produção de raízes e tubérculos deverá crescer a 11 porcento e a de leguminosas a 40 porcento por ano.
Referiu que desde 2002, ano da conquista da paz, a produção agro-alimentar tem tido um crescimento significativo, em consequência das medidas tomadas pelo Governo, que consiste em apoio ao regresso das populações deslocadas e o seu enquadramento no processo agrícola.
“Tem-se incrementado investimentos no sector da agricultura, pescas e na indústria alimentar, a par da realização de reformas económicas e legislativas visando a estabilização macroeconómica”, sustentou.
O Governo angolano apostou, continuou João Miranda, na recuperação das infra-estruturas, estando em curso a reabilitação e construção de estradas e pontes, caminhos de ferro, a reactivação e estabelecimento de pequenos, médios e grandes esquemas de irrigação, a organização do comércio e dos transportes para aliciar e impulsionar o investimento privado em todo território nacional.
Deu a conhecer que, no âmbito do desenvolvimento rural, o Governo de Angola está a implementar programas virados para a melhoria das condições de vida das comunidades, através da extensão dos serviços de educação, da saúde, da promoção da habitação condigna, água potável, electricidade e saneamento básico.
Quanto à produção de biocombustíveis, defendeu que “ela deve assentar-se em estratégias bem definidas que procurem salvaguardar como princípio fundamental a não competição com a produção de alimentos para os seres humanos.
Sobre esta matéria, o chefe da delegação angolana a este fórum informou que o Governo angolano poderá destinar aproximadamente 500 mil hectares à produção de biocombustíveis, dos cerca de 35 milhões de hectares de terras potencialmente aráveis que Angola possui, sem prejuízo das terras destinadas à produção de alimentos.
Sobre a subida significativa dos preços dos alimentos que se tem verificado nos últimos meses, sustentou que poderia ser transformada em oportunidades, sobretudo para os países em desenvolvimento, com grande potencial agrícola, promovendo maiores investimentos no sector agrário.
No discurso de abertura da cimeira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, apelou para a necessidade de duplicar a produção mundial de alimentos até 2030, como forma de superar a actual crise de baixa produção e preços elevados no sector.
A conferência, que encerra hoje numa promoção da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), tem como objectivo encontrar formas de melhorar a segurança e qualidade alimentares.
À margem do evento, João Miranda encontrou-se com o primeiro vice-presidente do Conselho de Estado e chefe da delegação de Cuba, José Ramon Machado Ventura, com quem passou em revista aspectos de cooperação bilateral e solidariedade entre os dois países.
Por seu lado, Jacques Diouf, director-geral da FAO, afirmou que partilha da visão de Ban Ki-moon sobre a importância de aumentar a produção agrícola, sobretudo nos países mais pobres, através do aumento das ajudas financeiras pelos estados ricos, tendo dito no encontro que “o tempo dos discursos terminou”.
O Papa Bento XVI enviou uma mensagem aos líderes mundiais presentes na conferência da FAO, lida pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone. Na missiva, o sumo pontífice apelou à “mundialização da solidariedade”.
Fonte:Angop
|
vamos por acorre essa fome dos nosso estomago.