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Luanda: As kínguilas são espertas da economia e agora viraram credoras de prestígio |
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Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.
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17-Nov-2008 |
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Susana Guilherme, 34 anos, tem toda uma vida marcada pelo negócio de cambista de rua, vulgo “kínguila”. Ainda tinha 18 anos, quando no início da década de 90 começou a engrenar no “kinguilismo ou cambismo de rua”. De lá para cá nunca mais parou.
Começa às sete da manhã, horário fixo. Todos os dias, à mesma hora, sentada a poucos metros do Terminal Aéreo Militar (TAM), abana ininterruptamente um “cacho” de notas, anunciando que troca a moeda nacional pelos desvalorizados dólares.
É uma “veterana” que conhece muito bem os meandros do negócio. Mas já há muito que não dá grandes proventos. Susana Guilherme recorda que há 10 anos o negócio era viável, mas agora entrou na onda das “vacas magras”, muito em consequência das políticas monetárias adoptadas pelo Governo. “Por cada 100 dólares vendidos ganhamos 200 kwanzas e nem todos os dias são santos”, lamenta. Já há alguns anos as “kínguilas” deixaram de ver no câmbio informal uma saída viável para o sustento familiar e a subsistência. As razões desta mudança são diversas. A primeira e mais importante advêm do facto de o país estar a viver um período de estabilidade e controlo da inflação. Mas o surgimento de bancos e casas de câmbios é também uma razão de peso para a estagnação do negócio.
Para contornar a conjuntura, Susana Guilherme adoptou novos procedimentos. Já não se dedica apenas à troca do dólar pelo kwanza. Também concede pequenos empréstimos.
Suzi, como é vulgarmente conhecida, tem uma franja de clientes a quem empresta dinheiro sem o mínimo de desconfiança. Os empréstimos rendem mais do que os câmbios. Um empréstimo de 300 dólares rende 450, margem de lucro de 150 dólares. É especulação! “Eu particularmente faço empréstimos a muita gente e devo dizer que é rentável, desde que as pessoas devolvam o dinheiro emprestado e os juros”, disse.
Em São Paulo, a situação não foge à regra. Para Zinga, 29 anos, a saída é a persistência. “Já não se ganha muito com este negócio, as coisas mudaram e as pessoas estão a ganhar outra cultura, preferem os bancos”, refere. Com uma média de clientes que vai dos quatro aos sete por dia, começou a sentir a necessidade de encontrar alternativas de negócio.
“Já temos outras alternativas, preferimos emprestar dinheiro com uma margem de juros, que geralmente vai aos 50 por cento. É a única via, embora nem todas as pessoas a quem emprestamos sejam confiáveis”, conclui. Não obstante as mudanças, os (as) kínguilas não desistem da actividade. Ou porque não têm outras saídas para novos empregos e novos negócios, ou porque não têm qualificações académicas. Estas são as razões mais apontadas pelos novos credores de rua e de quintais.
As necessidades económicas da maioria da população, são ilimitadas, diz Angelina Imbo, que acrescenta: “por isso não faz sentido parar de trabalhar ainda que isso signifique ganhar 50 kwanzas por cada 100 dólares”.
FNT/JA
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