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Negócio de kinguilas cada vez menos lucrativo fruto da estabilidade macro económica |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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23-Mai-2008 |
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Com a estabilidade macro económica alcançada nos últimos anos, fruto das medidas incrementadas pelo Governo, que se traduz também na estabilidade e na valorização da moeda (Kwanza), o negócio de kinguila ou cambista de rua vai de mal a pior. Se há quatro anos atrás esta actividade era rentável, o mesmo não se pode dizer hoje. No passado, pela venda ou compra de uma nota de 100 dólares, as kinguilas lucravam entre quinhentos a seiscentos Kwanzas.
Actualmente, o quadro é bem sombrio. Por uma nota de 100 dólares, as cambistas de rua ganham apenas 100 a 50 Kwanzas. Esta situação faz com que dona Ana Rosa, 35 anos, dez dos quais como cambista de rua, na baixa de Luanda, pense em abandonar a actividade para se dedicar a outro ofício. “ Meu irmão este negócio já não dá.
Por uma nota só se ganha 100 ou 50 Kwanzas. Há semanas que nem consigo vender uma nota”, desabafa. Ana Rosa desconhece os motivos da pouca rentabilidade do negócio, a única informação que encontra para esta situação, prende-se com o facto de os clientes actualmente preferirem os bancos e as casas de câmbios, por estas pagarem mais. Dona Ana Rosa lembra com nostalgia o tempo em que dispunha de dez clientes por dia. O seu volume de negócios na altura rondava em média 700 a 1.000 dólares.
Por outro lado, lamenta o facto de os seus clientes já não trocarem somas consideráveis, como 500 dólares para cima. Hoje, os clientes ficam pelos 100 e raramente trocam duzentos ou trezentos dólares e só o fazem em situação de emergência, conta.
No mesmo local, encontramos Paula Silva, 32 anos, também kinguila há dez anos. A jovem diz estar desesperada com esta situação. “Estou à procura de um emprego. Mesmo que seja só de limpar chão. Tenho filhos para sustentar e todos os dias vir aqui e não ganhar nada é melhor ficar em casa”, lamenta.
Residente em Cacuaco, Paula Silva queixa-se que o dinheiro que ganha serve apenas para pagar o táxi. Tal como a sua colega Ana Rosa desconhece os motivos que as levaram a perder tantos clientes. Face ao quadro a que o negócio está mergulhado, revela que esta situação fez com que três colegas suas abandonassem a actividade e se dedicassem a outras práticas.
Fonte:Jornal de Angola
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