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Marisa de Jesus, 12 anos, e Nelson Ferreira, 14 anos, ambos alunos da 7ª classe da escola 7049, localizada no município do Cazenga, em Luanda, frequentam as aulas de informática há cerca de dois meses. Esta disciplina não está prevista no curriculum escolar deste nível de ensino, mas tem sido leccionada por a instituição ter recebido 15 computadores da Comissão Nacional de Tecnologias de Informação (CNTI), no âmbito do Projecto de Massificação de Computadores nas Escolas.
Marisa e Nelson fazem parte de um grupo de cinco alunos, de turmas diferentes, escolhidos para frequentar as aulas de informática. Nelson conta, com alguma graça, que no momento da escolha, antes de saber por que razão o professor o indicava, tentou se esquivar. “Pensei que fosse para nos baterem. Mas depois de o professor ter dito que teríamos aulas de informática, fiquei bem feliz”. A felicidade de Nelson, bem como a de Marisa, foi ainda maior quando ambos se aperceberam que teriam o primeiro contacto com um computador, a partir dessas aulas.
No entanto, mal os jovens aprenderam a manusear este meio técnico, as aulas foram interrompidas devido a uma pausa pedagógica, que se registou em todas as escolas do 1º ciclo de ensino secundário. Contrariando a situação, o professor Simão Laca conta, por exemplo, que, durante esse período, alguns alunos, ansiosos por terem aulas de informática, decidiram ir à escola. O interesse deles, do qual comungam outros colegas que ainda não têm acesso a tais aulas, tem facilitado o processo de aprendizagem, segundo o professor.
“Eles têm aulas teóricas e práticas, para que aprendam a manusear os computadores e saibam o que é a informática”, esclarece o professor. Além de ligar e desligar o computador, os alunos aprendem a criar pastas, guardar e recuperar documentos, jogar, desenhar, mudar as imagens do ambiente de trabalho, entre outros procedimentos possíveis de se efectuar no programa Windows.
Marisa não domina ainda todas estas operações, mas nem por isso considera difícil o manuseio de um computador. Ela sabe que com o tempo vai dominar uma série de operações, como o envio de mensagem, através do correio electrónico, passo sobre o qual tem grande curiosidade. Porém, o Nelson, por não assimilar ainda a disposição das letras no teclado, encontra dificuldade ao digitar textos, por exemplo. Ele fez saber que preferia ter as letras seguidas, conforme a constituição do alfabeto. Para sossegar o jovem, o professor Simão Laca garante que a dificuldade de Nelson será ultrapassada quando os transmitir procedimentos específicos sobre o manuseio das teclas. “A partir daí, Nelson vai digitar com maior facilidadse e rapidez”, diz o professor.
Simão Laca assegura que só será possível ensinar a Marisa e os demais alunos a trocar mensagens através do correio electrónico, após à instalação do sistema de internet. No entanto, as professoras Augusta Simão e Lúcia Sebastião, que também têm aulas de informática, querem muito aprender a navegar na internet, para procederem à pesquisa de assuntos de interesse académico e não só, de forma a suprir a escassez de livros no país. Augusta, que se mostra tão entusiasmada pela oportunidade, tal como os alunos, disse estar a concretizar um dos seus objectivos a nível da sua formação.
Ela já aprendeu a ligar e desligar o computador, algo que, para si, representa um grande passo. “Pensava que era só puxar a ficha, mas não. Afinal isto tem normas”, reconheceu, convicta de que aprenderá da mesma maneira que os alunos aprenderam a utilizá-lo.
A professora Lúcia Sebastião, por já ter frequentado há anos um curso de informática, quer apenas actualizar os conhecimentos, sobretudo os práticos, uma vez que os esqueceu na totalidade.
Fonte:Jornal de Angola
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