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O dilema dos estudantes de medicina em Angola: falta tudo para uma formação decente |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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23-Jun-2008 |
A carência de estruturas de apoio social no que diz respeito a transportes, material bibliográfico, bem como a falta de bibliotecas e salas para aulas teóricas e praticas são as grandes dificuldades com que os estudantes de medicina se confrontam ao longo do seu curso.
Segundo o decano da faculdade de Medicina, muitos não recebem apoio material dos familiares e outros até o apoio moral lhes falta, porque não encontram na escola o amparo que precisam para ultrapassar as carências vividas em casa.
Cristóvão Simão esclareceu que a maior parte dos estudantes que provêm de famílias humildes, derivado daí todas as suas dificuldades. “São pessoas de famílias humildes, as condições em casa não são adequadas, muitas delas têm que enfrentar o problema de falta de água e energia eléctrica e quando precisam estudar não têm iluminação suficiente. Tudo isso são dificuldades que mexem muito com a vida do estudante e que são difíceis de suportar e ultrapassar”, salientou.
E os problemas não ficam por ai. Cristóvão Simão lembra que, para alem do estudante não ter apoio material e moral, também não encontra junto da sociedade no que concerne à facilidade no transporte, biblioteca e alimentação. É todo um conjunto de apoio social que não existe e que retira a tranquilidade necessária para ter sucesso nos estudos.
Os custos de formar um médico
Formar um médico em qualquer parte do Mundo não é fácil, em Angola particularmente, muito menos, tendo em conta os problemas socio-económicos acrescidos que o país vive.
Uma das grandes dificuldades do ensino da medicina no país, de acordo com Cristóvão Simão, diz respeito ao ambiente clínico.
“Os hospitais onde ensinamos medicina não são universitários, na sua concessão. Os nossos hospitais não foram construídos para aceitar alunos, foram feitos apenas para tratar doentes e quando colocamos lá estudantes começam a surgir problemas de convivência”, advertiu o catedrático.
O responsável sublinhou que o número de estudantes que a faculdade de medicina envia para os hospitais ultrapassa a capacidade que têm, potenciando as dificuldades de trabalho e de relacionamento.
Só para o ano lectivo 2007/2008, a Faculdade de Medicina enviou para o Hospital Américo Boavida 150 estudantes, do terceiro ano, 160 do quarto e um grupo de 120 estudantes estagiários do sexto ano.
Entretanto, em Angola existem apenas dois cursos de medicina, um na universidade Agostinho Neto, e o outro a funcionar, na Universidade Jean Piaget, em Viana.
Na faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, os estudantes não pagam propinas por isso, têm os valores do custo reduzido a contar com outras despesas.
Já na da Jean Piaget, que é uma universidade privada, o valor das propinas para o curso de medicina é o mais elevado.
Um estudante de medicina paga mensalmente 350 dólares americanos. Os livros de medicina, nas livrarias Lello e Mensagem, são os mais volumosos e mais caros.
Fonte:Novo Jornal
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