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O pré-candidato, João Kambowela, afirma que as mais recentes declarações de Eduardo dos Santos sobre as próximas eleições presidenciais vieram criar mais dúvida e confusão. João Kambowela entende que a eleição indirecta do Presidente da República pelo Parlamento seria um golpe à Constituição. Na passada sexta-feira, durante uma reunião de cúpula do seu partido, o MPLA, José Eduardo do Santos afirmou que existem na sociedade angolana duas correntes de pensamento quanto à forma como o Presidente da República deve ser eleito.
Segundo o líder do MPLA, uma dessas correntes aponta para a eleição do Presidente da República pelo Parlamento «por sufrágio indirecto» e outra defende que este deve ser eleito pelos cidadãos por sufrágio universal directo, condicionando assim, a realização das eleições presidenciais à aprovação de uma nova Constituição. João Kambowela considera que a ideia da eleição do Presidente da República por sufrágio indirecto é uma questão nova levantada num fórum muito restrito que merece um debate muito mais profundo. «A Constituição de 1991 não dá espaço para uma reviravolta constitucional da forma como ela está a ser sugerida. Portanto, isto exigiria muito mais debates, uma análise muito mais profunda. Porque é que se levanta esta questão nesta fase, porquê é que se faz a ligação entre as eleições, a revisão da Constituição e esta adenda que é colocada?», referiu. João Kambowela considera, no entanto, que este novo elemento que surge no cenário político angolano não será razão para um eventual adiamento das eleições presidenciais. «As eleições presidenciais fazem parte de um pacote completo que inclui as autarquias. Elas têm que ser realizadas no próximo ano, porque é um compromisso assumido. Obviamente, o Presidente da República tem poderes, mas se ele arranjar argumentos para adiar as eleições presidenciais ele terá que arcar com as consequências disso». As eleições presidenciais em Angola estão marcadas para o próximo ano, mas não existe ainda uma data definida. A 5 de Setembro deste ano realizaram-se no país as eleições legislativas ganhas pelo MPLA por uma maioria qualificada. Fonte: VOA
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