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O MPLA elegeu 191 deputados dos 220 lugares à Assembleia Nacional, segundo ditaram os resultados definitivos das eleições legislativas divulgados na noite de ontem (terça-feira), pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).
De acordo com os números finais, a UNITA conseguiu eleger apenas 16 deputados, seguida do PRS, que obteve oito, e da Nova Democracia, com dois deputados. A FNLA foi a quinta mais votada, mas conseguiu eleger três deputados, sendo beneficiado pelo método aplicado para eleição dos deputados nos círculos províncias, onde os restos beneficiam o partido com média mais baixa.
Em cerimónia que decorreu no Centro de Convenções do Talatona, em Luanda, na presença do Presidente da Comissão Nacional Eleitoral, Caetano de Sousa, e de mandatários de listas de alguns partidos políticos, o porta-voz da CNE, Adão de Almeida, divulgou os dados dos 18 círculos provinciais e do círculo nacional, incluindo o número de deputados conquistados em cada província.
Das 14 formações políticas concorrentes, apenas cinco conseguiram eleger deputados à Assembleia Nacional, nomeadamente o MPLA, a UNITA, o PRS, a Nova Democracia e a FNLA.
Com um domínio absoluto em todos os círculos provinciais, o MPLA obteve 81,62 por cento dos seis milhões 450 mil e 407 votos válidos, relegando a UNITA à segunda posição com apenas 10,32 por cento e o PRS, que foi a terceira força política mais votada, com 3,17 por cento dos votos.
No total, o MPLA obteve cinco milhões 266 mil e 216 votos, contra 670.363 votos da UNITA. Feitas as contas, o número de votos alcançados pelo partido do Galo Negro nas 18 províncias do país é inferior à metade que o MPLA conquistou apenas em Luanda.
Diferentemente das primeiras eleições legislativas, realizadas em 1992, o MPLA dominou totalmente em todos os círculos provinciais. Se no pleito passado, perdeu no Bié (0-5), Huambo (1-4), Benguela (2-3) e Kuando Kubango (1-4), desta vez conseguiu o número total de deputados em quase todas as províncias. As únicas excepções foram Lunda Sul (perdeu dois lugares para o PRS), Cabinda (um deputado para a UNITA), o Bié (um deputado para a UNITA), Lunda Norte (um deputado para o PRS) e o Zaire (um deputado para a FNLA).
Os dados finais, divulgados onze dias após a realização do pleito, alteram totalmente o quadro político de 1992 e confirmaram a UNITA como o grande derrotado, ao não conseguir manter os 70 deputados conseguidos nas primeiras eleições. Mais do que isso, o partido do Galo Negro perdeu 54 lugares no Parlamento. Já o MPLA ganhou mais 62 deputados, aos 129 conquistados em 1992. Quem também melhorou a sua prestação de 1992 foi o PRS, que conquistou mais dois deputados e tem agora oito.
Partidos como PLD (quarto mais votado de 1992), PRD, AD, PDP-ANA e PAJOCA, que estiveram representados no Parlamento saído das eleições de 1992, não conseguiram sequer um por cento dos votos.
Outro grande destaque destas segundas eleições na história de Angola foi a Nova Democracia, uma formação política que saiu do anonimato para se tornar na quarta mais votada, com 77.141 votos, acima da FNLA que obteve 71.416 votos.
Fundada em 2006, a coligação liderada por Quintino Moreira surpreendeu tudo e todos e obteve 1,20 por cento da preferência dos votantes, o que lhe dá direito a dois deputados na Assembleia Nacional.
FNT/Jornal de Angola
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